Saiba o que é turismo solidário e porque é um grande negócio

"As ceramistas gostam de conversar, contar histórias. Os almoços duram duas horas. A ideia é que o turista vivencie como se fosse da comunidade", afirma turismóloga

Eber Freitas
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Semanas antes de tirar férias, você já começa a pesquisar preços de pacotes com aéreo, hotéis, confere os pontos turísticos que pode visitar e já planeja as selfies. E se o pacote turístico oferecesse uma experiência imersiva na comunidade onde você passaria essas férias, onde seria possível compartilhar receitas, artesanatos e outros usos e costumes locais?

Esse é o chamado turismo solidário, uma tendência que ainda busca casos consolidados de sucesso no Brasil. "Por aqui ainda há a predominância do turismo de sol e praia", comentou comigo a turismóloga Mariana Madureira, uma das sócias da  Raízes DS. O negócio teve início em 2011 e segue uma metodologia que tem conquistado os clientes: duas vezes por ano, cerca de 15 turistas são levados até o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, para conhecer a cultura local.

O Vale é uma região de indicadores sociais precários. Os turistas saem da capital, passam pela cidade histórica de Diamantina e seguem para as comunidades de Campo Burity e Coqueiro Santos, onde ficam hospedados nas casas de famílias locais. O intercâmbio de experiências, gastronomia e produtos artesanais garantem a satisfação. "Existe ainda um desconhecimento muito grande com relação a esse tipo de roteiro. Por mais que tenhamos fotos, vídeos, depoimentos,  a comercialização ainda é muito difícil. Mas depois que as pessoas vão, a gente tem 95% de aprovação", diz. "As ceramistas gostam de conversar, contar histórias. Os almoços duram duas horas. A ideia é que o turista vivencie como se fosse da comunidade".

O benefício maior é para a comunidade. "A gente acaba se preocupando mais com as praças, com as escolas. Não é todo mês que a gente recebe grupo. Alguns ficam mais uns dias, outros menos, mas tem aumentado a renda. Estamos usando o dinheiro para reformar as casas, os banheiros", explica Deuzani Gomes dos Santos, moradora do Vale do Jequitinhonha há 32 anos. "A gente recebia algumas pessoas mas não era como renda. A gente não cobrava nada, não tinha aquele compromisso. O pessoal aqui é muito receptivo", relata.

O que você acha? Você arriscaria um roteiro turístico diferente nas próximas viagens de férias? Deixe sua opinião nos comentários.

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