A ESCOLA CULTURAL

Adm. José

A FORMAÇÃO DE ESTRATÉGIA COMO UM PROCESSO COLETIVO

1. Introdução:

O poder toma a entidade denominada organização e a fragmenta; a cultura junta uma coleção de indivíduos em uma entidade chamada organização. O primeiro focaliza o interesse próprio, a segunda o interesse comum.
Cultura não é uma idéia nova. Do ponto de vista da antropologia, a cultura está em tudo que nos cerca, naquilo que bebemos, na música que ouvimos, na maneira pela qual nos comunicamos. Ao mesmo tempo, cultura é aquilo que é único, que diferencia uma organização de outra, uma nação de outra. Portanto, seu caráter universal mas único, tem se refletido também em sua aplicação à administração estratégica.
A cultura foi “descoberta” em administração nos anos 80, graças ao sucesso das corporações japonesas. Elas pareciam fazer as coisas de maneira diferente das americanas e, ao mesmo tempo, imitando descaradamente a tecnologia dos Estados Unidos. Todos os dedos apontavam para a cultura japonesa e, em especial, para como esta se havia manifestado nas grandes corporações japonesas.
A cultura pode ser estudada do ponto de vista de uma pessoa de fora ou do nativo de dentro. O primeiro assume uma posição objetiva sobre as razões pelas quais as pessoas se comportam como o fazem, as quais são explicadas pelo caráter único dos relacionamentos sociais e econômicos. O segundo considera considera a cultura como um processo subjetivo de interpretação, não baseado em qualquer lógica abstrata universal.



A cultura é essencialmente composta de interpretações de um mundo e das atividades e artefatos que refletem as mesmas. Além da cognição, essas interpretações são compartilhadas coletivamente, em um processo social. Não há culturas particulares. Algumas atividades podem ser individuais, mas sua importância é coletiva. Assim, associamos cultura organizacional com cognição coletiva. Ela passa a ser a “mente” da organização, se você preferir, as crenças comuns que se refletem nas tradições e nos hábitos, bem como em manifestações mais tangíveis – histórias, símbolos, ou mesmo edifícios e produtos. A cultura organizacional pode ser vista como um “tecido social expressivo”, e como, o tecido humano, une os ossos da estrutura organizacional aos músculos dos seus processos. Em certo sentido, a cultura representa a força vital da organização, a alma do seu corpo físico.

2. Premissas da Escola Cultural:

a) A formação de estratégia é um processo de interação social, baseado nas crenças e nas interpretações comuns aos membros de uma organização.
b) Um indivíduo adquire essas crenças através de um processo de aculturação ou socialização, o qual é em grande parte tácito e não verbal, embora, seja às vezes reforçado por uma doutrinação mais formal.
c) Portanto, os membros de uma organização podem descrever apenas parcialmente as crenças que sustentam sua cultura, ao passo que as origens e explicações podem permanecer obscuras.
d) Em conseqüência disso, a estratégia assume a forma de uma perspectiva, acima de tudo, enraizada em intenções coletivas (não necessariamente explicadas) e refletida nos padrões pelos quais os recursos ou capacidades da organização são protegidos e usados para sua vantagem competitiva. Portanto, a estratégia é melhor descrita como deliberada (mesmo que não seja plenamente consciente).
e) A cultura e, em especial, a ideologia não encorajam tanto as mudanças estratégicas quanto a perpetuação da estratégia existente, na melhor da hipóteses, elas tendem a promover mudanças de posição dentro da perspectiva estratégica global da organização.

 


Fonte: Mintzberg, Ahistrand e Lampel. Obra: Safári de Estratégia