Conheça a universidade sem professores recém-inaugurada no Vale do Silício

Na "42", alunos se coordenam sozinhos para desenvolverem projetos e resolverem problemas; alguns já trabalham em empresas como IBM, Amazon e Tesla

Redação Administradores.com,
Reprodução

Já pensou em estudar numa universidade sem nenhum professor? Essa é a proposta da 42, instituição criada em 2013, em Paris, e com uma unidade recém-inaugurada no Vale do Silício, EUA. Estima-se que a universidade deva receber, por ano, 1 mil estudantes interessados em programação e desenvolvimento de software.

Ao longo do curso, os próprios estudantes se organizam e avaliam os trabalhos uns dos outros. O nome da universidade, além de curioso, é sugestivo: na obra O guia do mochileiro das galáxias, de Douglas Adams, 42 é a resposta dada pelo supercomputador Pensador Profundo para "a vida, do universo e tudo mais".

Alguns alunos formados na 42 hoje trabalham em multinacionais de tecnologia como IBM, Amazon e Tesla; outros criaram suas próprias empresas.

A ideia de Xavier Niel, empresário do setor de tecnologia e fundador da instituição, é revolucionar a educação aos moldes do que o Facebook fez com as redes sociais, o Uber com os transportes e o Airbnb com a hospedagem. Para isso, os métodos da 42 envolvem uma aplicação mista de ensino colaborativo e aprendizagem por projetos – as duas abordagens são consagradas na pedagogia, mas em geral exigem a presença de professores supervisores.

Por esse aspecto, a 42 funciona como uma espécie de incubadora, onde os alunos escolhem o problema que querem solucionar e trabalham em conjunto. Para aprender, eles usam fontes gratuitas disponíveis na internet e contam com a ajuda dos colegas mais experientes. Cada aluno tem acesso a um computador e todos ficam enfileirados em uma sala ampla.

A progressão é mensurada com um estilo de gamificação: os estudantes avançam em níveis e fases, além de competirem em projetos. Ao chegar ao nível 21 – o que, em geral demora entre três e cinco anos – eles recebem um certificado. A 42 não fornece diplomas, portanto o curso não tem o mesmo peso e validade de um curso universitário comum.

Para os fundadores da 42, o método é extremamente eficaz. "O retorno que temos recebido dos empregadores é que os jovens que formamos são mais preparados para buscar informações por si mesmos, por exemplo, sem precisar perguntar ao supervisor o que devem fazer", afirma Brittany Bir, que se formou no campus de Paris e atualmente dirige as operações da 42 na Califórnia, em entrevista à BBC.

"O aprendizado colaborativo faz os estudantes desenvolverem a confiança necessária para buscar soluções de forma autônoma, com métodos criativos e engenhosos", conta. Para ela, as competências adquiridas durante o curso são condizentes com as necessidades do mercado. "Isso é especialmente importante na área de programação, onde há uma falta de determinadas habilidades humanas", acrescenta.

Por outro lado, especialistas como Dan Butin, reitor da escola de educação e política social do Merrimack College de Massachusetts, nos EUA, defende a manutenção dos professores nos processos de aprendizado colaborativo e por projetos. "A razão decisiva para a existência de um professor é orientar os estudantes no enfrentamento de assuntos complexos, ambíguos e que geralmente escapam à sua capacidade de entendimento", lembra.

Para Butin, uma universidade sem professores poderia levar os alunos, ao invés de questionarem e desafiarem opiniões preconcebidas, a reforçarem as ideias que eles já têm sobre o mundo.

Britanny Bir destaca que nem todos os alunos estão preparados para o modelo de ensino da 42. Durante o processo seletivo, alguns candidatos demonstraram irritação por conta do estresse de trabalhar tão próximo de outros. "O método é indicado para pessoas muito disciplinadas e confiantes", diz Britanny.

Para ingressar na 42, não existe pré-requisito de experiências acadêmicas anteriores. No campus de Paris, 40% dos alunos não chegaram a concluir o equivalente ao segundo grau. Os fundadores reforçam que o objetivo da 42 é oferecer um modelo que funcione para pessoas que foram deixadas de lado pelo sistema tradicional de educação.

O melhor é que a 42 não cobra mensalidades dos alunos. A seleção é feita após um período de quatro semanas onde os candidatos passam o tempo inteiro em uma imersão, aprendendo e desenvolvendo – interessados de qualquer lugar do mundo podem fazer a pré-inscrição, mas a universidade não fornece bolsas ou auxílio para viagens e estadia. A grade de disciplinas inclui programação de computadores, inovação, infraestruturas, desenvolvimendo pessoal e expressão e empreendedorismo.

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