5 fatores que têm alto impacto no desempenho escolar dos alunos

McKinsey lança estudo inédito que aponta os fatores que influenciam o sucesso escolar na América Latina

Redação Administradores.com,
iStock

A McKinsey & Company lançou na última semana um estudo global inédito de educação baseado em microdados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A pesquisa traz conclusões importantes sobre os fatores que influenciam o desempenho dos estudantes na prova do PISA, que é aplicada a cada três anos a jovens de 15 anos de diversos países desde 2000. Em 2015, a prova foi aplicada a 540 000 estudantes em 72 países.

O estudo elencou cinco fatores que têm alto impacto no desempenho escolar dos alunos: a motivação pessoal (mentalidade), a combinação adequada de orientação do professor e investigação própria na prática do ensino, o uso de tecnologias de informação e comunicação (TIC) como ferramenta pedagógica pelos professores, o aumento da jornada escolar e  a educação infantil.

Segundo a McKinsey, tais fatores oferecem subsídios para o aprofundamento da discussão sobre políticas que possibilitem a melhoria da aprendizagem e a busca de inovações no campo educacional. "A pesquisa reforça nosso entendimento de que, para haver avanço na qualidade da educação, é preciso um conjunto de intervenções diferentes. De qualquer modo, a importância da mentalidade do aluno, que é o conjunto de atitudes e crenças desses estudantes, chamou a atenção", explicou a líder da prática de Política Pública e Social da McKinsey no Brasil, Patricia Ellen da Silva. "Outro ponto de destaque foi a confirmação do papel central do professor, principalmente liderando aulas expositivas".

A pesquisa – que se baseou na avaliação do PISA de 2015, com foco na disciplina de Ciências – debruçou-se sobre os indicadores da América Latina, mais especificamente do grupo formado por Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, México, Peru, Trinidad e Tobago e Uruguai. Além da análise dos microdados das provas do PISA, também foram utilizadas outras informações do exame extraídas de entrevistas com professores, pais e os próprios alunos. O Brasil foi destaque na atual pesquisa como exemplo do impacto dessas ações combinadas sobre o desempenho dos alunos.

Em detalhe, a seguir, as cinco constatações da pesquisa:

1. A mentalidade dos alunos afeta os resultados escolares quase duas vezes mais que o contexto socioeconômico

No Brasil, a pontuação dos alunos foi influenciada, sobretudo, por fatores ligados à motivação/mentalidade (29%) – à frente de características da escola (28%), contexto socioeconômico (14%), características do professor (14%) e outros fatores (15%).

Outra forma de olhar esse dado se dá pela comparação entre os 25% mais pobres e os 25% mais ricos. No Brasil, os alunos motivados da faixa socioeconômica mais baixa tiveram nota média de 400 pontos, ao passo que os desmotivados da faixa mais rica tiraram 378 pontos.

2. Alunos cuja educação é uma mistura de investigação própria e instrução orientada por professores obtêm os melhores resultados

A pesquisa avaliou tanto o "aprendizado orientado pelo professor" – em que ele explica e demonstra ideias científicas, discute questões e lidera discussões em sala de aula – quanto o chamado "aprendizado baseado na investigação" – em que os alunos exercem papel mais ativo, criando suas próprias perguntas e participando de experimentos.

A pesquisa concluiu que os resultados são melhores quando há a seguinte combinação: instrução expositiva na maioria ou em quase todas as aulas e aprendizado investigativo em
algumas aulas.

Se a educação de todos os alunos tivesse essa combinação, a nota média da América Latina no PISA subiria 19 pontos – equivalente ao aprendizado de mais de meio ano letivo. Para o Brasil, o aumento seria ainda maior, de 24 pontos.

3. Os melhores resultados das tecnologias de informação e comunicação (TIC) são obtidos quando o uso está nas mãos dos professores

O impacto do uso das tecnologias de informação e comunicação (TIC) – computadores, tablets, smartphones, etc – sobre os alunos durante o período letivo é ambíguo: variando de 40 pontos a menos a 46 pontos a mais no PISA, dependendo do tipo de hardware.

Contudo, é o uso das TICs pelos professores que produz os melhores resultados. Por exemplo: a introdução de um projetor na sala de aula está associada a um aumento acentuado do desempenho em ciências dos alunos no PISA. O impacto dessa solução é mais de 30 vezes superior ao efeito da inclusão de um computador para alunos na mesma sala de aula.

4. A ampliação da jornada escolar para até sete horas diárias contribui para melhorar os resultados. Mas ganhos significativos também podem ser obtidos aproveitando-se melhor o horário atual

A premissa de que passar mais tempo na escola melhora o desempenho faz sentido intuitivamente. Os resultados do PISA confirmam essa suposição, mas com ressalvas.

No Brasil, os resultados obtidos em ciências no PISA aumentam 2,9% (ou 14 pontos) para cada 30 minutos de instrução diária adicional em sala de aula, até o limite de sete horas por dia. Analisadas as cargas horárias em detalhe, verifica-se que o aumento percentual mais significativo das notas no país se dá na faixa de 4,5 a 5 horas diárias. A partir deste ponto, o aumento da carga continua a trazer benefícios para o desempenho escolar mas em percentuais cada vez menores. Depois de 7 horas, o desempenho começa a cair.

5. A educação infantil teve impacto acadêmico positivo nos jovens que hoje têm 15 anos; entretanto, alunos de baixa renda beneficiaram-se menos do que os de alta renda

O novo estudo da McKinsey aponta que alunos que receberam alguma educação infantil têm desempenho 8% melhor no exame de ciências do PISA uma década depois, mas há diferenças entre eles dependendo de suas origens. Crianças de condição socioeconômica elevada obtêm mais que o dobro dos benefícios que crianças de condição econômica mais baixa. Embora todas elas se beneficiem em todas as idades, aquelas que começaram a pré-escola aos dois anos de idade são as que obtêm as maiores notas mais tarde. Por outro lado, as crianças de baixa renda que obtêm as notas mais altas são as que ingressaram na pré-escola aos quatro anos de idade. Isso ressalta a importância de investir na educação infantil de qualidade, especialmente para crianças de baixa renda.

A McKinsey avaliou mais de mil variáveis do PISA para a elaboração desse estudo, envolvendo equipes de escritórios de todos os continentes. Sobre esses dados foram aplicados técnicas avançadas de Advanced Analytics e machine learning.

Nos próximos meses, a consultoria lançará estudos específicos para outras quatro regiões: Ásia-Pacífico, Europa, América do Norte, e África e Oriente Médio.

O estudo em inglês referente à América Latina pode ser conferido por meio do link abaixo. Nesta página, na parte inferior, há atalhos para os PDFs da pesquisa em inglês, espanhol e português.

http://www.mckinsey.com/industries/social-sector/our-insights/what-drives-student-performance-in-latin-america.

Café com ADM

Café com ADM

#55
Authentic Games: lições de sucesso de um youtuber
Neste episódio, Leandro Vieira conversa com Marco Túlio, criador do canal Authentic Games, um fenômeno do Youtube com mais de 11 milhões de inscritos.
Café com ADM #55 Authentic Games: lições de sucesso de um youtuber
00:00 00:00
Confira outros episódios


Administradores
Administradores

O login deve conter apenas "letras" (minúsculas), "números" e "_". Ele será usado para lhe identificar no seu perfil.

Entre com a sua conta

Administradores
Administradores

Torne-se um Administrador
Premium por apenas
R$ 29,90 mensais

Ou cadastre-se com: