ICO: uma introdução ao novo modelo de criação e financiamento de negócios

Sigla para Initial Coin Offering, também chamado de crowdsales ou token sales, o ICO é uma captação pública de recursos para projetos e empresas

Guga Stocco Administradores.com,
iStock

O mundo dos negócios está passando por uma grande mudança – não só em seus modelos, mas na velocidade com que ocorrem as transformações. As empresas não necessariamente demoram mais de dez anos para quebrar, e as novatas surgem num piscar de olhos.

É nesse contexto que nos deparamos com uma nova maneira de criar e financiar negócios: os ICOs. Uma reportagem de setembro de 2017 do Recode, um dos mais respeitados sites de tecnologia do mundo, destaca uma novidade de outras menos consistentes no ambiente tecnológico: “A busca por alternativas para novas empresas levantarem capital fez nascer muitos experimentos, mas nenhum tão proeminente quanto a ascensão em 2017 dos chamados ICOs”.

Sigla para Initial Coin Offering, também chamado de crowdsales ou token sales, é uma captação pública de recursos para projetos e empresas. A semelhança da sigla com IPO (Initial Public Offering) não é mera coincidência, mas há diferenças. Enquanto o ICO acontece globalmente, o IPO acontece em um só país. Outro ponto é que o ICO apenas precisa seguir um check-list básico e ser aprovado pela comunidade para ser implementado, enquanto o IPO precisa seguir uma série de requerimentos oficiais e de auditoria.

Um ICO é feito por meio da venda de uma nova moeda virtual, específica para cada projeto. Portanto, digamos que um grupo com uma ideia emite um certo número dessas moedas, também chamadas de tokens, utilizando a tecnologia do blockchain (que permite que a informação digital seja distribuída, mas não copiada). Será com essa moeda que o grupo levantará capital. O token, por sua vez, é comprado com outras moedas virtuais populares, como Ether e Bitcoin, ou com moedas nacionais, como dólares. Se for bem-sucedida no longo prazo, a empresa crescerá, sua moeda (token) será valorizada e os investidores que a compraram lucrarão.

Um exemplo recente é do projeto chamado Bankera, que pretende oferecer pagamentos, empréstimos e investimentos como bancos tradicionais e também integrar funcionalidades que surgiram com as fintechs. Em setembro de 2017, o Bankera fez seu pré-ICO e foram colocados no mercado 10% dos seus tokens, batizados de BNK. Cada BNK custava 0,01 euro e foram distribuídos 2.500.000.000 BNKs.

Se você quer investir em ICOs, o primeiro passo que recomendo é começar a navegar pelo universo das criptomoedas. Compre um Bitcoin, por exemplo, e não me pergunte como – descobrir como e onde comprar faz parte do aprendizado. Depois compre outra moeda, acompanhe as notícias sobre ICOs e o mercado de moedas virtuais.

Há muitas ofertas no mercado e vários sites, como o Smith+Crown, analisam projetos, explicando o modelo de negócios, a distribuição de tokens e quem são as pessoas por trás das ofertas. Assim, é fundamental que você leia os chamados “whitepapers”, documentos publicados pelos criadores dos projetos para explicar as ideias. A partir dessa leitura, terá uma primeira indicação se há um negócio sólido querendo investimento ou não.

Guga Stocco — Fundador da Domo Invest e da Koolen & Partners, conselheiro consultivo da B3, TOTVS e Banco Carrefour, embaixador do Stanford Reasearch Institute, palestrante e mentor da Spin Aceleradora de Startups.

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