São Paulo - Uma mudança de comportamento nos últimos 20 anos tem feito com que o Dia dos Namorados se torne uma data tão importante para o comércio como o Dia das Mães. Mulheres mais independentes financeiramente e jovens que saem de casa cada vez mais cedo e que se casam cada vez mais tarde são os principais fatores, segundo o economista, Fabio Pina, da Fecomércio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), para que o dia ganhe importância equivalente ao segundo domingo de maio.
“Casar mais tarde significa um tempo maior destinado aos namoros e sair de casa mais cedo para morar sozinho dá uma certa solidão. Por isso, muita gente namora e usa a data até para marcar compromissos, já que “ficar” é a palavra da moda”.
Com a independência financeira das mulheres, elas passaram a também presentear nesta data, ajudando o comércio a “turbinar” suas vendas. “As mulheres são mais criteriosas e decididas. Para presentear o namorado escolhem produtos pequenos, mas de bom gosto”, afirma Pina.
Pesquisa divulgada recentemente pela Fecomércio revela que 81% dos 800 consumidores entrevistados têm a intenção de dar um presente em 12 de junho. De acordo com o levantamento, a disposição é equilibrada: 82% das mulheres e 81% dos homens. O percentual dos que querem agradar o namorado ou a namorada neste ano supera bastante o verificado em 2003, quando atingiu 48%.
Neste Dia dos Namorados, o valor médio do presente será de R$ 42,00, praticamente igual ao estimado no mesmo período de 2003. De acordo com a assessoria econômica da Fecomercio, ao deflacionar o valor verificado na sondagem, tem-se um número semelhante ao da intenção de gasto do ano passado, de R$ 40,00.
O levantamento mostra, porém, que a disposição de pagar acima de R$ 70,00 aumentou. Neste ano, 23% dos consumidores pretendem comprar presentes além deste valor, enquanto, em 2003, apenas 14% dos entrevistados tinham essa intenção. Outros 43% dos consumidores avaliam que gastarão até R$ 30,00.
Camiseta, flores e cds
Itens de vestuário (blusa, camiseta e camisa) são preferidos por 18% dos consumidores na escolha do presente. As flores também têm lugar garantido na data e devem ser o presente de 11% dos entrevistados. Perfumes ou cosméticos e CDs foram destacados, respectivamente, por 10% e 9%. Apesar da preferência dos entrevistados pelas roupas para presentear, 10% dos consumidores desejam ganhar perfumes e cosméticos. Relógio, óculos e CD ocupam o segundo lugar na lista, com 9%.
O celular também aparece como objeto de desejo de 8% deles, mas é citado apenas por 3% como opção para presentear. Antenadas nesta mudança de comportamento, as empresas de celular investiram pesado em publicidade para conquistar o cliente “apaixonado” neste período.
Segundo o economista Marcel Solimeo, da Associação Comercial de São Paulo, além dos itens citados os eletrodomésticos também devem vender bem, já que a taxa de juros está mais baixa e o crediário mais longo.
Serviço
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