SÃO PAULO - Na hora de fazer compras, a palavra de ordem é sempre pesquisar. Porém, neste final de ano, a prática de "bater pernas" atrás do menor preço deve ser intensificada. O conselho é do coordenador do Provar/Fia (Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração), Nuno Fouto.
"Este ano os produtos apresentarão uma grande variação de preço. Veremos valores diferentes em lojas físicas e virtuais mas, principalmente, teremos preços diferentes em um mesmo tipo de loja. Quem procurar pelo mesmo produto em diferentes lojas reais, por exemplo, certamente encontrará variações significativas de valores".
O economista explica que isso acontece em razão do momento em que as lojas montaram seus estoques, ou do tempo em que estão planejando fazer caixa. "Algumas empresas que trabalham com importados compraram suas mercadorias com o dólar em patamares menores, outras já pegaram o dólar mais volátil. Isso vai interferir diretamente no preço ao consumidor. Além disso, há lojas que precisam fazer caixa mais rapidamente que outras. Essas também devem vender mais barato".
Virtuais ou reais?
Apesar da grande variação de preços, Fouto acredita que a maioria dos consumidores fará suas compras para o Natal deste ano em lojas físicas.
"Esse é um comportamento comum nos brasileiros. Grande parte até pesquisa o produto na internet, procura conhecer suas características e valores médios antes da compra. Mas, na hora de fazer a aquisição, acabam comprando em lojas físicas, onde conseguem barganhar ainda mais".
O economista conta, ainda, que as lojas virtuais costumam ser mais utilizadas para determinados tipos de compra, como a aquisição de eletrônicos. Porém, com a crise deste ano e a possível desaceleração na venda de produtos de maior valor agregado, as lojas virtuais devem vender ainda menos.
"Tem muita gente que confia mais em lojas virtuais para determinadas compras. Os eletrônicos, por exemplo, possuem mais público na internet do que nas lojas físicas, porém, para este ano, é esperado um desaquecimento na venda desses equipamentos, como computadores e notebooks, por exemplo. Porque com maior restrição ao crédito e a incerteza sobre o futuro financeiro, muitos consumidores desistiram de fazer essas compras", conta.
Além disso, o coordenador explica que o clima do Natal, mais presente nas lojas físicas, acaba impulsionando as compras. "Porque as lojas se enfeitam todas para o Natal, muitas antes mesmo do mês de novembro chegar. A decoração cria um clima, lembra as pessoas que é Natal, época de presentear e, conseqüentemente, de comprar. E esse apelo é muito mais forte nas lojas físicas do que nas reais". Isso, não dá para negar!