Faturamento das PME's paulistas tem 8ª alta seguida

A alta de 5% do faturamento real das micro e pequenas empresas paulistas em agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado, representou R$ 1,1 bilhão a mais no caixa destes pequenos negócios, totalizando R$ 22,4 bilhões de receita. Foi a oitava alta consecutiva, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O nível do pessoal ocupado chegou a 5,7 milhões de pessoas trabalhando nos empreendimentos de pequeno porte da capital, Região Metropolitana de São Paulo, Grande ABC e interior.

O faturamento médio das MPEs em agosto de 2007 foi de R$ 16.913,98 por empresa. Na comparação mês a mês (agosto/07 sobre julho/07), o resultado também foi positivo, com expansão de 4,4% do faturamento real, o que representou a injeção de R$ 937 milhões.

Estes são os principais resultados dos Indicadores Sebrae-SP, pesquisa do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), realizada com a colaboração da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), com 2,7 mil micro e pequenas empresas do Estado de São Paulo, dos setores de comércio, indústria de transformação e serviços. Mensalmente, são avaliados os índices de faturamento, pessoal ocupado, rendimento dos empregados, gastos com salários e expectativas das MPEs para faturamento da empresa e para a economia brasileira.

De acordo com Marco Aurélio Bedê, coordenador do Observatório das Micro e Pequenas Empresas do Sebrae-SP, o desempenho positivo das MPEs em termos de faturamento, nos últimos oito meses, reflete a melhora na atividade econômica do país, a partir da recuperação da renda do trabalhador e maior oferta de crédito ao consumidor.

O nível de pessoal ocupado nos pequenos negócios não acompanhou o movimento de expansão do faturamento e as MPEs tiveram retração no quadro de colaboradores, com queda de 3,1%, cerca de 180 mil pessoas, na comparação dos últimos 12 meses.

Entretanto, o rendimento real dos empregados e os gastos totais com salários apresentaram alta na comparação de agosto de 2007 com agosto de 2006: 2,3% e 0,9% respectivamente.

O rendimento real dos trabalhadores acompanhou o índice medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mostra que o rendimento médio dos trabalhadores cresceu na comparação de 12 meses (agosto/07 contra agosto/06): +1,2% na média das seis principais regiões metropolitanas do país (Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo).

Segundo a pesquisa, em média, os pequenos negócios tiveram uma folha de pagamentos de R$ 2.070,35, sendo que setorialmente o comércio registrou a maior alta (+12,2%). “Há mais de um ano, na maioria dos setores, o rendimento médio dos trabalhadores vem crescendo acima da inflação. Isso tem favorecido o aumento na massa salarial total da economia. Já com respeito à redução no total de pessoas ocupadas, esse movimento pode estar associado a um fenômeno mais estrutural, na medida em que é crescente o número de novas empresas com um quadro de pessoal mais enxuto, tal como ocorre no setor de serviços”, afirma Bedê.

Expectativa

Acompanhando a recuperação da receita, o otimismo dos donos dos pequenos negócios paulistas com relação ao faturamento real e à atividade econômica também está ascendente. Em setembro de 2007, 40% dos entrevistados disseram acreditar que o faturamento vai subir nos próximos seis meses (contra 37% em agosto/07 e 28% em setembro/06) e 47% acreditam na estabilidade do faturamento (contra 50% em agosto/07). E 86% dos entrevistados esperam melhoria e/ou estabilidade no nível de atividade econômica nos próximos seis meses.

Para o diretor-superintendente do Sebrae-SP, Ricardo Tortorella, as MPEs devem fechar o ano de 2007 com um nível de faturamento até 5% superior ao do ano passado. “A queda nos juros, a melhora dos rendimentos reais dos trabalhadores e o aumento do crédito deverão proporcionar um Natal mais generoso para as pequenas empresas este ano, quando comparado ao do ano passado”, afirma Tortorella.

Setores

Setorialmente, o comércio foi pelo 3º mês consecutivo o que mais se destacou no quesito expansão da receita nos últimos 12 meses: +8,9%, enquanto as MPEs prestadoras de serviços tiveram alta de receita de 1,2%. As pequenas indústrias mantiveram o nível de faturamento. Na comparação mês a mês (ago/07 contra julho/07), os três setores apresentaram alta de faturamento: 5,9% (comércio), 5% (indústria) e 0,7% (serviços).

No comércio, os segmentos que apresentaram maior alta de receita foram os associados ao varejo, que têm participação expressiva de comércio de alimentos e vestuário, favorecidos pela melhora na renda dos trabalhadores.

Os indicadores apurados pela pesquisa revelam que o nível de pessoal ocupado sofreu ajustes em agosto de 2007, com queda de 10,2% em serviços e de 2,8% na indústria. O comércio registrou expansão de 1,6% na comparação de 12 meses.

Por regiões

A pesquisa monitora o desempenho das MPEs em todo o Estado e apresenta dados para quatro regiões: capital (cidade de São Paulo), Grande ABC, Região Metropolitana de São Paulo (39 municípios) e interior. No time das MPEs que registraram alta de faturamento real nos últimos 12 meses, juntaram-se aos pequenos empreendimentos do interior e do Grande ABC, as MPEs da capital (cidade de São Paulo): 12,5%, 3,7% e 3,7%, respectivamente. Já os empreendimentos de pequeno porte da Região Metropolitana registraram queda na receita de 0,9%. A amostra da pesquisa é representativa das mais de 1,3 milhão de MPEs da indústria de transformação (11%), comércio (57%) e serviços (32%). Elas representam 98% das empresas formais e ocupam cerca de 67% da mão-de-obra do setor privado, em todo o Estado de São Paulo.

A pesquisa completa está disponível no portal, clicando em “Conhecendo a MPE”, seção “Indicadores”.


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