Investment grade pode agravar apagão de talentos

A conquista pelo Brasil da posição de investment grade pode agravar a falta de executivos e de talentos, problema que já aflige alguns setores da economia. O quadro - batizado de apagão de talentos pela DBM, consultoria em gestão do capital humano - vale, especialmente, para companhias que atuam em setores como os de investimento, private equity, agronegócios, fusões e aquisições, além das áreas de marketing e vendas.

Segundo dados da consultoria, hoje tais segmentos já demandam mais executivos e talentos do que efetivamente conseguem localizar e contratar no mercado local. Como resposta, algumas empresas, nacionais e múltis, estão repatriando profissionais que foram enviados para subsidiárias em outros países. Outras, iniciaram programas de formação de talentos para enfrentar o novo cenário da economia.

"Apenas no primeiro semestre deste ano, o volume de novos postos de trabalho para executivos se ampliou em 40%. Em julho e agosto, a demanda por profissionais para atuar do nível de média gerência a presidente seguiu em crescimento", diz Marcelo Cardoso, presidente da DBM. "Caso o Brasil conquiste a posição de investment grade, a demanda será maior ainda."

Análise realizada pela consultoria conclui que outros setores poderão ser afetadas no futuro pela escassez de mão-de-obra, caso a boa fase da economia se prolongue. Entram nesta lista empresas do mercado imobiliário e companhias atuantes nos mercados de produtos voltados às classes C e D, além de bancos e empresas relacionadas a project finance, educação e crédito.

Outro ponto identificado no estudo é a possível incapacidade dos centros de ensino brasileiros de formar profissionais gabaritados para o novo contexto econômico. Isso geraria uma ultra-competição por talentos, aumentando as compensações oferecidas aos indivíduos que apresentem as competências essenciais para o novo momento da economia brasileira, e até mesmo a busca por executivos expatriados.

Na opinião de Cardoso, para fazer frente a esse cenário, as companhias brasileiras precisam se preparar para reter talentos e criar outros atrativos, além dos financeiros, que mantenham os colaboradores alinhados com o crescimento da empresa.

A carência de profissionais não acontece só aqui. O prolongado período de crescimento mundial, tido como o maior da história, tem espalhado o problema pelos quatros cantos do mundo.

"Antes, os melhores executivos eram disputados, basicamente, por empresas americanas, européias e japonesas. Agora, isso mudou e eles passam a ser caçados por empresas de todos os continentes", diz Cardoso.

Segundo dados do IMD (International Institute for Management Development), existem no mundo cerca de 33 milhões de executivos.


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