Nunca houve coisa igual. O mundo está mudando com uma rapidez incrível e com uma intensidade cada vez maior. A mudança sempre existiu na história da humanidade, mas não com o volume e a velocidade com que ocorre hoje. Vários fatores contribuem para que esse fato aconteça: mudanças econômicas, tecnológicas, culturais, políticas, empresarias e comportamentais.
Dentro desse contexto, uma das que mais sofre mudanças é a área comportamental, de certo estimulada por várias outras mudanças como sentimental, empresarial, financeira, pessoal. Todas essas inovações somadas resultam em apenas uma: a mudança comportamental. E um dos pontos que necessita de maior observação e valorização pelas organizações é a motivação ou a automotivação.
Devido às grandes mudanças que estão acontecendo, para as empresas manterem-se em um nível competitivo, elas devem procurar assegurar seu diferencial. E são as pessoas que mantêm o equilíbrio das organizações. São elas que geram e fortalecem a inovação e o que deverá vir a ser. São as pessoas que produzem, inovam, criam, mantêm o contato direto com os clientes, que motivam e se automotivam.
As organizações modernas não são meros locais de trabalho com ambientes arejados, mas se constituem em espaços nos quais ocorrem várias interações e representações humanas. Recentes tendências como Qualidade Total, Globalização, Reestruturação Tecnológica, e outras, impõem uma preocupação com o elemento humano. É o fator diferencial que, por meio do trabalho, faz a engrenagem funcionar e constitui a fonte de referência para a construção social e a auto-estima no homem.
A motivação tornou-se um fator importante e ao mesmo tempo preocupante para as empresas e para os profissionais. Questões do tipo "como fazer para motivar meus funcionários?" ou "como me manter motivado, diante das adversidades que enfrento todos os dias?" são alguns exemplos. Porém, muito pouco do que se fala sobre motivação pode ser considerado objetivo ou até mesmo verdadeiro.
Tudo o que pode ser avaliado também pode ser melhorado. Esse famoso princípio de qualidade vale tanto para pessoas e processos quanto para o ambiente de trabalho. Por essa razão, inovar - afirma a maioria dos pesquisadores da área comportamental - é uma condição à sobrevivência, ao sucesso e à continuidade da vida corporativa, sobretudo, nos mercados onde a competição revela-se mais acirrada. Todavia, para inovar uma empresa necessita reunir e coordenar um amplo conjunto de fatores. Assim, nosso objetivo aqui é identificar até que ponto a automotivação gera o comodismo e conseqüentemente a rejeição na organização. Onde a motivação nos fornece uma fotografia da empresa, segundo a visão dos funcionários, verificamos o motivo que leva o colaborador à sua ação.
A motivação é um termo muito conhecido e pouco utilizado pelas empresas. O termo motivação na integra significa "o motivo que leva à ação". Além disso, necessidade, ação e satisfação estão fortemente interligadas à motivação. Nada, nada realmente funciona sem envolvimento e motivação. Já a automotivação é a vivência diária onde se envolve a necessidade, a ação e a satisfação. Esperar da empresa reconhecimento do que se faz é realmente lógico, mas vem em segundo lugar. Ter grau máximo de satisfação e orgulho do que se faz, buscar a realização e, acima de tudo, transmitir esse sentimento, essa sensação para toda a sua equipe vai garantir a motivação incondicional.
Esperar sempre de você, na busca da auto-superação em qualquer tarefa, isso sim garante a motivação constante, independente das condições que lhes são oferecidas até mesmo internamente. Para que nossa motivação esteja realmente aguçada, devemos permitir e nos dar a iniciativa de nos automotivarmos. Isso independente da pessoa, da empresa e do nível hierárquico no qual você ocupa dentro de uma organização. A automotivação está extremamente ligada a nós, por isso ninguém pode nos motivar para ação alguma. Podemos ter fontes de inspiração e de exemplos, referências, mas a verdadeira motivação vem quando achamos o que faz sentido para nós, quando descobrimos que aquilo que fazemos realmente nos completa, que realmente fazemos porque gostamos e acreditamos, e não porque temos necessidade ou obrigação.
Muitas pessoas não acreditam que podem ser motivadas ou que podem se automotivar, independente das situações no qual se encontram. Para muitas pessoas, motivação empresarial é reconhecimento, promoção, aumento salarial e, por pensarem dessa forma, acabam acomodando-se e nada fazem além do que lhe é determinado.
O comodismo é um fator que está diretamente ligado à motivação, pois a pessoa que não é motivada acaba gerando, sem conhecimento, o comodismo. As empresas não estão aceitando mais pessoas incapazes de se automotivar. Infelizmente as organizações estão descartando as pessoas incapazes de motivar e de serem motivadas, porque essas não fazem aquilo que gostam, fazem porque necessitam da posição que ocupam dentro da organização. A pessoa que não tem um objetivo profissional, não busca renovar seus conhecimentos, não busca conhecer a empresa na qual trabalha e não tem iniciativa, está fortemente apontada a não fazer mais parte do quadro de empregados da empresa. E tudo isso é decorrente da falta de motivação das pessoas e da própria empresa.
A rejeição também é um outro fator que está extremamente ligado à motivação e ao comodismo. Pessoas que não se motivam, acabam acomodando-se e ao se acomodarem, acabam gerando rejeição a tudo. Rejeitam tarefas e funções, departamentos, informações, qualidade pessoal e tudo isso somado gera rejeição à integração. Num próximo artigo, veremos em detalhes como a rejeição pode contaminar o ambiente corporativo.
Vinicius Sebastião Borges da Silveira Cursando o 7º período do curso de Administração de Empresas: Faculdade Padrão.