O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quinta-feira (23), em seminário promovido pela Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), em Brasília, uma maior cooperação entre governo e empresariado para estimular o crescimento da economia com distribuição de renda.
"Nesses quatro anos e meio, todos nós aprendemos alguma coisa. Ninguém é dono da verdade. Nem o governo e nem os empresários. [A verdade] aparece quando [os atores] se sentam em uma mesa e pode ser consensuada. Muitas das coisas que mandamos para o Congresso são resultado de reuniões com empresários. A iniciativa privada não é o absolutismo. A complementação do governo com a atividade empresarial pode resultar nisso que estamos colhendo agora", disse ele.
Segundo o presidente Lula, os empresários não têm que mentir para o governo e vice-versa. "Nós temos que pensar no país que queremos daqui a 15 ou 20 anos e colocar a coisa para funcionar. O nosso compromisso histórico é conduzir esse país a um grande desenvolvimento e que a gente possa ter uma grande política social. É isso que nos interessa no fundo. Não adianta alguém ganhando muito e ter um bando de miseráveis. Temos que ter todos ganhando. Do mais rico ao mais pobre do país", disse ele.
Na visão do presidente da República, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) está possibilitando a "arrumação política" entre o governo Federal, os estados e os municípios necessária para executar as obras previstas.
PAC
"Se o PAC der certo, do jeito que imagino que vai dar e se for executado com a precisão, a partir daí poderemos fazer uma proposta de um marco regulatório para que as coisas aconteçam daqui para frente. E não ficar jogando a culpa um no outro. É uma casa que não tem pão. Todo mundo reclamando e ninguém tem razão", disse ele.
Lula afirmou ainda que o país colhe hoje o resultado da coragem que teve no passado. Segundo ele, o governo preferiu, em 2003, primeiramente "arrumar a casa" para, somente depois, começar a atender às reivindicações de setores da sociedade.
De acordo com o presidente, o Brasil tinha se esquecido do planejamento estratégico. "Durante um tempo, na década de 70, tínhamos um armário de projetos. Deixou de ter projetos. E isso o PAC veio nos ensinar. Além de construir, é preciso que o Brasil, enquanto governo e também os empregadores, cada um tenha um armário de projetos. Para que, quando precisar, ganhe metade do tempo que se gasta hoje", disse ele.