A crise financeira e suas repercussões poderão se agravar ainda mais, considerou o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Olivier Blanchard, em declarações à imprensa suíça.
"O pior ainda está por vir", afirmou Blanchard em uma entrevista ao jornal econômico suíço Finanz und Wirtschaft, antes de acrescentar que "será necessário muito tempo para que a situação se normalize".
O crescimento econômico deverá se restabelecer a partir de 2010 e a situação se normalizará em 2011, acrescentou.
"Até o final do ano que vem, o crescimento será pela primeira vez levemente mais elevado que no trimestre anterior", destacou o economista francês, que permanecerá no posto até o final de maio.
O FMI, que se declarou disposto a auxiliar a Letônia para que este país saia da crise, já apoiou vários países atingidos pela tempestade financeira, em particular Islândia, Hungria, Ucrânia, Sérvia e Paquistão.
Blanchard advertiu que o FMI não poderá respaldar todas as situações, em especial aquelas referentes à falta de liquidez.
As retiradas de capitais que geram problemas de liquidez, "podem ser tão grandes, que o FMI por si só não poderá contê-las", disse Blanchard, antes de acrescentar que a retirada maciça de investimentos dos países emergentes representaria "centenas de bilhões de dólares". "Não temos esse dinheiro e nunca tivemos", disse.
Dos 250 bilhões de dólares (199,8 bilhões de euros) que o FMI possui - o Japão contribuiu com mais 100 bilhões - o Fundo gastou nas últimas duas semanas 50 bilhões, indicou Blanchard.
Ele aconselhou os bancos centrais a baixar as taxas de juros para enfrentar a crise. Os bancos centrais "deveriam aproximar de zero as suas taxas principais", considerou Blanchard.