O QUE ESPERAR DO PROGRAMA DE ACELERAÇÃO ECONÔMICA

Lançado em janeiro com todas as honras no Palácio do Planalto e agora divulgado em horário nobre em propagandas de TV, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) continua sendo visto com desdém por todos os segmentos da economia, inclusive no setor sucroalcooleiro apontado como um dos alvos do projeto. Apesar do governo se comprometer em investir de cerca de R$ 17 bilhões em infra-estrutura e tecnologia para produção do etanol e biocombustível, as medidas não trará impacto direto na indústria canavieira.

Em fase de regulamentação no Congresso, o projeto prevê investimento de mais de R$ 12 bilhões na produção de etanol e em torno de R$ 4 bilhões em alcoolduto pela Petrobrás ligando Goiás ao litoral de São Paulo. Pela previsão, os recursos deverão ser aplicados em construção de 77 novas usinas de álcool até 2010, que deverá gerar 23,3 bilhões de litros de etanol, linhas de crédito para produção e incentivos fiscais na área de infra-estrutura.

Entretanto, todas essas iniciativas já vem sendo tomadas pelo próprio setor sucroalcooleiro, que se organizaram desde o fim do programa Pró-Álcool como verdadeiras indústrias. Ao longo dos anos, as empresas têm investido constantemente para se equipar com as mais modernas tecnologias de gestão e ganhar competitividade no mercado de combustíveis.

Hoje as indústrias canavieiras investem cerca de 2% do faturamento em soluções informatizadas para aprimoramento de toda a cadeia de produção, otimizar a mão-de-obra com maquinários, promover melhor aproveitamento do solo, que possibilitam ao setor uma produção cada vez maior de açúcar e álcool a um custo 50% inferior do que outros países.

Por enquanto o PAC ainda é um protocolo de boas intenções, sem metas, prazo e ações claramente definidas. O plano ainda não explica como ter acesso a esses recursos, em que condições e como serão usados para estimular a produção.

O que o mercado sucroalcooleiro precisa de fato, e com máxima urgência, é de uma estrutura de distribuição e comercialização do etanol para o mercado internacional. Assim, se governo levar a sério a construção de um alcoolduto pela Petrobrás, além dos recursos de logística e distribuição necessários para levar o álcool brasileiro aos consumidores de outros países e dará novo impulso ao setor.

As indústrias canavieiras têm feito a sua lição de casa. Como resultado, a safra anual vem crescendo a uma taxa 10% ao ano desde 2000. Os dados da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) indicam que a produção de cana saltou de 359,3 milhões de toneladas, resultando em 14,8 milhões de litros de álcool em 2003/2004, para um pouco mais de 386 milhões de toneladas de cana e 15,9 milhões de litros de etanol em 2005/2006. As projeções são de 425 milhões de toneladas, 17,5 milhões de litros de álcool. Agora, cabe ao governo fazer a sua parte para assegurar o tão almejado desenvolvimento econômico.


* Gilberto Girardi é diretor executivo da Próxima- empresa do grupo Datasul, líder no desenvolvimento de softwares para agroindústria – gilberto.girardi@proxima.agr.br




Compartilhe



Mais notícias

Leia mais notícias

Comentários


O Presidente Barack Obama conseguirá reverter os efeitos da crise americana?

Sim, a curto prazo.
Sim, a médio prazo.
Sim, a longo prazo.
Não, não conseguirá.





apoioAngradHightech
Apresentação | Anuncie | Política de Privacidade | Contato
© 2003-2007. Administradores - O Portal da Administração.