Ferramenta comum no mundo das grandes corporações, a Inteligência Competitiva (IC) também tem sido adotada por micro, pequenas e médias empresas como forma de estimular a cultura de cooperação empresarial, antecipar tendências e planejar ações a partir das informações obtidas para garantir destaque no mercado nacional e, principalmente, em um mundo globalizado onde a produção em massa não deixa possibilidade de altas margens de lucro.
Para Paulo Alvim, gerente da Unidade de Acesso à Inovação e Tecnologia do Sebrae, que abordará o tema durante evento mundial de gestão do conhecimento, que acontece no final de novembro, em São Paulo, por meio da IC a pequena e média empresa pode ouvir o cliente, compreender seu nicho, a estratégia, a estrutura de custos e modelos de precificação da concorrência, inovar e ganhar mercado ou até mesmo a liderança em um breve espaço de tempo.
Estudo realizado pelo Sebrae, ao longo de dois anos, atesta a eficiência da aplicação da IC setorial especificamente em farmácias de manipulação no Rio de Janeiro. Os dados atestam o potencial da ferramenta na diferenciação e redesenho de negócios, bem como na agregação de valor por essas empresas, que se beneficiam da alta capacidade de adaptação e agilidade dos pequenos negócios, a partir da conscientização do empresariado para o uso da informação disseminada. Veja a seguir alguns resultados do estudo:
Novos nichos
Após uma intensa análise setorial foi possível identificar oportunidade de novos negócios para farmácias de manipulação por meio do conceito de marca junto aos consumidores e possibilidades de aliança junto a indústrias especializadas para fabricação de cosméticos. A parceria geradora de novos negócios fortalece o mercado de indústrias de terceirização cosmética e permite às farmácias a participação em novo nicho de mercado. A visão de negócio desta análise identifica ainda uma segunda fase, orientada para exportação.
A Farmácia Natural da Terra já se encontra com os estudos de estabilidade dos produtos em andamento. A atuação conjunta com a indústria cosmética gera negócios projetados para o segundo semestre de 2007 da ordem de R$ 60 mil a 90 mil.
Orientação pelo cliente
A aplicação de informações obtidas em análises abordando os fatores de decisão de compra no setor, estudos de percepção de qualidade pelo cliente e perfil médio do consumidor brasileiro, foi utilizada em nível estratégico pela Farmácia Princípio Vegetal, que a partir de um trabalho junto aos seus clientes redesenhou seu modelo de negócios, posicionando-se como um “centro de bem-estar”, com um plano de ação inicial para implementação ao longo de 12 meses.
Do mesmo modo, agora no nível tático, a Farmácia Doce Flora, realizou avaliação junto a 800 clientes e os resultados permitiram uma revisão completa nos investimentos e ações de marketing da empresa, sendo voltados para a divulgação e fidelização junto aos seus clientes diretos.
Redução de perdas
A partir de uma análise SWOT - ferramenta de planejamento que identifica e correlaciona forças, fraquezas, oportunidades e ameaças - foram observadas formas de planejamento gerencial das microempresas do setor fora do eixo de investimento financeiro.
A análise, orientada na aplicação de conceitos de Abraham Maslow, para gestão de pessoas e processos internos, foi aplicada pela Sanatus Farmácia Homeopática Ltda, sendo introduzidos os conceitos em treinamento, avaliações de pessoal e métrica de resultados. Em seis meses, os desvios de processos tiveram uma redução avaliada em 97%, que representou, na projeção no ano passado, uma redução de perdas de pelo menos R$ 5 mil, segundo o proprietário da empresa.