A arte de gerir o intangível

03 de abril de 2008 às 13:46
Foi-se o tempo em que o valor de uma companhia equivalia somente ao seu patrimônio líquido. Os ativos intangíveis - entre eles a força da marca, o poder de barganha com fornecedores e clientes, o acesso a crédito e a gestão de segurança e riscos - podem dar maior visibilidade para uma organização no mercado e trazer como conseqüência fartos lucros. Um dos exemplos mais notáveis no Brasil é o da Suzano Papel e Celulose. A companhia adota desde 2000 a ferramenta Balanced Scoredcard (BSC) para medir os ativos intangíveis. Com isso, a empresa pode acompanhar melhor seu desempenho operacional e financeiro, além de monitorar o progresso na aquisição de conhecimentos e outros ativos intangíveis necessários para o crescimento. O resultado foi um salto no faturamento de US$ 316 milhões para US$ 5 bilhões. Atualmente a Suzano faz a gestão conjunta dos ativos financeiros e intangíveis publicando no relatório anual uma lista daqueles mais importantes. "Há três anos fazemos isso porque percebemos que os ativos intangíveis têm que ser importantes também para os investidores e para a comunidade", ressalta Jorge Cajazeira, gerente corporativo de competitividade da companhia. O executivo foi convidado para abrir a 43ª Reunião da Qualidade, promovido pelo Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade (PGQP) nesta quarta-feira (02), em Porto Alegre. No evento, que reuniu 800 pessoas, Cajazeira destacou a importância da valorização dos bens intangíveis. “Estar atento a esta variante do processo de gestão é um diferencial nas organizações que visam atingir a excelência”. O desafio da gestão, segundo Cajazeira, passa pela identificação de valores imateriais que podem ser facilmente percebidos como imagem, ética e cultura. Na era do conhecimento, a empresa passa a valer não somente pelo capital e pelo lucro que gera, mas também pelo conhecimento acumulado.

O ativo da sustentabilidade
– O encontro do PGQP não tratou somente daquilo que não se vê. O tema da gestão sustentável foi tratado por Irani Carlos Varella, coordenador do Grupo Gera Ação – iniciativa da Petrobras e várias entidades ligadas à qualidade. De acordo com Varella, a fórmula para alcançar o crescimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida das pessoas passa pela qualidade e produtividade das instituições públicas e privadas. "A sustentabilidade competitiva não é chegar à frente, mas fazê-lo com competência", destacou. Varella aponta que uma boa gestão gera valores, disciplina, sincronismo, conhecimento e maturidade. Por outro, lado observa que os instrumentos de gestão devem ser adequados ao estágio de desenvolvimento de cada instituição.

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