Todos os especialistas em remuneração concordam: 2007 foi bom do ponto de vista salarial. Mas e o que acontecerá no ano que se inicia? Enquanto a incerteza impera entre os responsáveis pelos prognósticos econômicos, a maioria dos profissionais já está pensando em um de seus propósitos para o novo ano: conseguir um aumento.
Um desejo que não se realiza com a cartinha endereçada aos Reis Magos. O melhor é aprender a lição, conhecer as tendências, os prognósticos e, principalmente, saber vender-se diante do chefe. Dele depende em grande parte o aumento salarial que o profissional pretende pleitear no ano que se inicia.
Previsão de alta
De acordo com os diferentes estudos apresentados em 2007 pelas principais empresas de consultoria, as previsões para 2008 mostram crescimentos salariais em torno de 4%, uma subida que tem um duplo aspecto, conforme explica Ignacio Revuelta, diretor da prática de remuneração de diretores da Towers Perrin. "A disparada da inflação beneficia a maioria dos cargos, cuja subida se produz de forma automática, obedecendo à cláusula de revisão", afirma. "Entretanto, este aumento generalizado é considerado um pressuposto nas organizações para a efetivação de aumentos individualizados no restante da companhia". Revuelta refere-se aos quadros intermediários, aos cargos júnior e a todos os postos cujas funções estão sujeitas ao cumprimento de objetivos específicos. "Este ano, o problema é como lidar com esta situação com cláusulas automáticas de revisão de 4%", acrescenta.
Partindo deste fato, considerado nada animador para os profissionais que aspiram a um aumento acima da inflação, María José Sobradillo, diretora associada da Bao & Partners, recomenda que se levem em conta vários fatores para solicitar um aumento. "É importante avaliar a situação da companhia e o momento econômico. Além disso, os aumentos salariais são determinados, em muitos casos, pelos resultados dos indivíduos. Uma companhia pode ir mal, mas tem talento fundamental na empresa e sabe que para preservá-lo deve dar-lhe a retribuição adequada e conceder-lhe aumentos salariais significativos".
Nestes casos, Revuelta destaca que, quando uma empresa passa por um momento delicado, costuma pedir um esforço extra a algum de seus funcionários. "Por este motivo, embora possa parecer uma ousadia pedir um aumento em situações críticas, os que assumiram novas responsabilidades estão em uma boa posição para solicitá-lo. Nesses momentos, são um perfil fundamental para a consecução da mudança".
À margem do momento que a organização estiver atravessando, os especialistas aconselham jogar com a remuneração variável – não-incluída na retribuição fixa e que varia de acordo com um rendimento, desempenho ou obtenção de alguns resultados determinados.
"Esta porcentagem não supõe um custo fixo para o empregador, e por isso é mais simples conseguir o aumento desejado", afirma Eva Patier, diretora de capital humano da consultoria Watson Wyatt.
Atuação reconhecida
De uma ou outra forma, o que não deixa margem a dúvidas é que, para que o profissional ganhe a queda de braço na negociação salarial, ele tem de vender-se e pôr sobre a mesa todo o seu ativo. De sua contribuição para a empresa depende em grande parte um aumento da porcentagem do variável. "É importante poder quantificar o trabalho. Por exemplo, para os profissionais ligados a áreas comerciais, é simples de determinar, porque (o desempenho) normalmente baseia-se em objetivos quantitativos. No caso de trabalhos em que não é tão claro, é estabelecida uma série de prazos, de metas a cumprir durante o ano. Em função de seu cumprimento, o bom desempenho ou o fato de o executivo tornar-se imprescindível pode ajudar a obter o aumento", afirma Sobradillo. Para se conseguir uma elevação nos ganhos, Valentín Nomparte, diretor da Development Systems, diz que "não se trata de convencer, mas de objetivar e comunicar bem. Os tangíveis devem ser isso mesmo, tangíveis. Precisamos falar de resultados, não de expectativas futuras, comunicar estes êxitos e ser firmes, mas tranqüilos em nossas petições", comenta.
Os setores mais propícios
Quanto aos setores de atividade nos quais é mais fácil obter um aumento, os especialistas assinalam as áreas de serviços, bancos, tecnologia e telecomunicações. Estas são algumas de suas reflexões. Sobradillo diz que, embora do ponto de vista salarial as perspectivas para o próximo ano são de aumentos contidos, dado o momento de expectativa que há no mercado, certos setores como serviços financeiros (bancos e capital de risco) e serviços profissionais (firmas de advocacia e auditoria), terão que conceder aumentos superiores ao esperado.
Patier ainda assinala que o setor bancário, junto com o farmacêutico e o de telecomunicacões, estão tendo muito bons resultados. Já Rafael Barrilero, sócio da Mercer, destaca principalmente o setor serviços, consultoria e tecnologia da informação.