A mediação como alternativa na solução de impasses sociais

A sociedade brasileira já se acostumou a conviver, praticamente todos os anos, com movimentos grevistas em setores essenciais para a vida das pessoas, como nos segmentos de educação, saúde, transportes e bancário, entre outros. As greves acabam prejudicando uma gama enorme de pessoas, sejam elas doentes cujo atendimento médico-hospitalar fica impossibilitado, funcionários e dirigentes de empresas que são impedidos de se locomover, estudantes e familiares atingidos pela paralisação escolar, pessoas com dificuldades em pagar contas e efetuar transações bancárias em agências, entre inúmeros outros problemas.

Exemplo dessa situação foi o movimento de estudantes, funcionários e professores da Universidade de São Paulo (USP), no primeiro semestre deste ano, cuja radicalização levou à ocupação da Reitoria da universidade pelos estudantes. Em Santa Catarina, até mesmo os policiais militares entraram em greve. No final, a duração dos conflitos muitas vezes envolve prazos longos - semanas e até meses, nos casos mais extremos - pela dificuldade de as partes envolvidas, trabalhadores e dirigentes sindicais e de entidades empresariais e/ou governamentais, chegarem a um consenso.

A mediação é um instrumento que pode ser utilizado para quebrar as barreiras existentes entre os diversos atores (funcionários, dirigentes sindicais de trabalhadores e patronais, setores governamentais e estatais), facilitando o caminho do diálogo e da busca do consenso, explica a psicóloga e mediadora Célia Bernardes. "As razões alegadas para dificultar o entendimento são as mais variadas, de parte a parte, e muitas delas não são declaradas, dificultando ainda mais a busca de uma solução para as divergências", explica a psicóloga. De acordo com ela, as necessidades da maioria da população, que não está diretamente envolvido nos litígios trabalhistas, pode ser respeitada e serem atendidas se as negociações puderem ser mediadas por profissionais que se especializaram em intervir em conflitos visando à sua solução de forma a atender todas as partes.

"Buscar autodeterminação das partes envolvidas numa situação conflituosa é um dos objetivos da mediação", diz Célia. Ela afirma que a mediação - conceito e instrumento relativamente novo no Brasil, embora largamente adotado em países como Canadá e Argentina, por exemplo, onde a mediação é regulamentada - pode criar e construir caminhos que ainda não são vislumbrados pelas forças em ação, cuja visão é toldada pela defesa intransigente de seu ponto de vista. "O mediador profissional pode promover um novo posicionamento das pessoas, como co-construtoras de suas novas realidades", destaca ela.

A mediação propõe, para isso:

. A busca de ganhos mútuos,
. Maiores possibilidades de cumprimento dos acordos firmados,
. A possibilidade de negociar muitos itens e pleitos num curto espaço de tempo,
.Contemplar a diversidade e a pluralidade, respeitando os limites de cada um, .Proporcionar o menor prejuízo possível para a sociedade e ao contribuinte.

A mediação é um instrumento muito eficaz na busca do consenso, utilizando conhecimentos multidisciplinares da psicologia, sociologia, antropologia, psiquiatria, entre diversos outros, para intervir e ajudar a solucionar situações aparentemente "insolúveis". "A sociedade como um todo pode se beneficiar desse instrumento, ainda muito pouco utilizado no Brasil", afiança Célia.

Célia Bernardes é psicóloga, especializada em mediação educacional e corporativa e diretora da Methow Consultoria Empresarial



Compartilhe



Palavras-chave

Mais notícias

Leia mais notícias

Comentários


A economia mundial irá se recuperar em 2009?

Completamente.
Moderadamente.
A economia não irá se recuperar em 2009.





apoio AngradHightechADM Shop
Apresentação | Anuncie | Política de Privacidade | Contato
© 2003-2007. Administradores - O Portal da Administração.