A força do diálogo no terceiro setor

Nossa motivação é renovada diariamente quando vemos a garotada da Fundação Gol de Letra evoluindo

Beatriz Pantaleão*, www.administradores.com,

 

Não resta a menor dúvida de que trabalhar no Terceiro Setor tem o seu fascínio. Estar, diariamente, inserida em uma realidade de desigualdade social latente aumenta ainda mais o nosso desejo e responsabilidade de contribuir para melhorar o combate às diferenças sociais do nosso país. No entanto, o cenário atual é muito desafiador. Diante da crise econômica que enfrentamos, as organizações não-governamentais precisam mais do que nunca avançar no processo de profissionalização, agir criativamente para buscar financiamentos, trocar experiências com outras entidades e medir resultados para justificar a continuidade dos projetos de forma eficiente.

Nossa motivação é renovada diariamente quando vemos a garotada da Fundação Gol de Letra evoluindo, descobrindo perspectivas para uma mudança de vida. São resultados palpáveis que estimulam, seduzem e nos realizam, mas que concorrem com desafios enormes como o desejo de políticas públicas mais eficazes no combate à violência, um apoio maior do governo e a busca de financiamento de projetos.

Com esse propósito, foi realizado recentemente o Laureus Sport for Good Global Summit, na Alemanha. O encontro reuniu mais de 100 instituições de todo o mundo: África do Sul, Argentina, Congo, Nova Zelândia, Austrália, México, Brasil entre outros. Representadas por lideranças, essas instituições puderam compartilhar suas culturas, costumes e suas metodologias tão singulares em cada ambiente. Lá, foi possível aprender novas estratégias para captação de recursos, a importância da transferência de tecnologia social e, para nossa surpresa, verificamos que o Brasil está em um estágio bem avançado no que diz respeito às ferramentas de avaliação e os processos de gestão dentro das organizações. Ter a oportunidade de conversar com instituições de todo o mundo, que compartilham dos nossos ideias, foi realmente muito positivo e, acima de tudo, nos mostrou que não estamos sozinhos e que a luta vale a pena.

O Summit Laureaus proporcionou um espaço de muita sinergia, jogos, dinâmicas e integração entre pessoas que se conheciam apenas no mundo virtual. O olhar, o toque e, claro, a cumplicidade foram muitos especiais e, definitivamente, uma bomba de estímulo e energia. Apesar de cada instituição ser única e singular, todas têm algo em comum: o ser humano. Todas carregam em sua essência o desejo de um mundo mais justo e menos desigual e, por isso, a troca aconteceu de maneira natural e intensa.

Ao voltar para o Brasil, tive a convicção de que a Fundação Gol de Letra está no caminho certo. Desenvolvemos um modelo sistematizado de gestão que nos ajuda a mapear os gargalos e as oportunidades de melhoria para implementação dos projetos e para avaliação dos processos e de recursos humanos. Testemunhamos que estamos preparados para os desafios futuros e podemos contribuir para fortalecer a profissionalização do setor não só no Brasil, mas em âmbito global.

Durante muito tempo as organizações sociais desenvolveram suas ações apenas sob a lógica da prática assistencialista. Hoje percebo que evoluímos muito. Prova disso foi o destaque que o terceiro setor ganhou ao entrar na composição do Produto Interno Bruto (PIB), o que ocorreu na recente revisão realizada pelo IBGE. Assim, as organizações não governamentais emergem, ainda com mais força, com o papel de resgatar a cidadania e humanizar as relações entre empresas, governos e a sociedade. Que venha o próximo Summit!

*Beatriz Pantaleão - diretora Executiva da Fundação Gol de Letra.




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