Adaptação às regras contábeis internacionais começa em 08

Mais de 200 empresas listadas em bolsa têm se mobilizado no sentido de adaptar seus balanços às normas internacionais de contabilidade (IFRS, na sigla em inglês) para 2008. Apesar dessa adequação ser uma exigência apenas para 2010, há medidas a serem tomadas já no ano que vem, como apresentação do balanço consolidado de ativos e passivos de modo a servir de base para o balanço comparativo de 2009.

As empresas têm procurado orientar-se e preparar seus balanços para atrair capital externo, diz análise da Easy Way, uma das principais empresas de soluções tributárias do País. Segundo ela, a maior atratividade de investimentos estrangeiros que um balanço adaptado trás explica a forte busca das empresas por auditores qualificados e atualizados.

A Gerdau foi a primeira a apresentou balanço adaptado no 3º trimestre de 2007 e, segundo informações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), cerca de outras cinco ou seis poderão vir a fazê-lo na divulgação dos dados do 4º trimestre deste ano. De acordo com os especialistas ouvidos pelo DCI, além da Gerdau, empresas como Embraer, Vale do Rio Doce, Petrobras, Net, Perdigão, AmBev, Bradesco, Unibanco, Telefônica e Embratel são algumas das que estão adiantadas no processo de preparação às normas contábeis internacionais do IFRS, que pode vir a regular inclusive empresas americanas, que atendem às normas da Sarbanes-Oxley (Sox). Segundo os analistas, a busca das empresas por auditorias preparadas e que atendam às exigências dos órgãos reguladores tem sido incessante e a dificuldade de encontrar profissionais capacitados é um obstáculo que tem assustado as companhias.

O presidente do conselho consultivo de normas e junta de normas internacionais do International Accounting Standards Board (IASB), Nelson Carvalho, diz que há um cenário de corrida das empresas por enquadrarem-se no balanço consolidado de 2008. "Em 2009 terá início o período de apresentação de lucros ou prejuízos adaptados aos padrões internacionais para que se possa consolidar, em 2010, o balanço definitivo", diz. "O mercado carece de profissionais que atendam as características globais exigidas", afirma Carvalho, que também é diretor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi).

De acordo com José Carlos Bezerra da Silva, da Gerência de Normas Contábeis (GNC) da CVM, as empresas que primeiro se adaptarem terão um diferencial competitivo em relação às demais, o que implica diretamente numa maior atratividade em relação ao capital internacional. "A Instrução nº 457 da CVM estabelece a adaptação obrigatória para o exercício de 2010, mas isso exige base comparativa de 2009, o que, por sua vez, exigirá a comparação com o saldo de encerramento em 2008", explica.

Segundo Silva, o Brasil não possui um grande número de auditores disponíveis, mas os que existem são de excelente qualidade. "O Conselho Federal de Contabilidade têm projetos em relação à adaptação do profissional a esse novo cenário", diz.

Reinaldo Mendes, diretor da Easy Way do Brasil, conta que a empresa precisou mudar sua sede para um local mais de três vezes maior para atender a demanda de empresas que os procuram. "O número de empresas atendidas por nós cresceu cerca de 25% este ano e muitas delas pedem orientações em relação às demonstrações contábeis internacionais", afirma. Segundo Mendes, a Easy é procurada principalmente por empresas grandes, mas empresas médias também podem vir a se interessar. "Estamos numa fase de transição e as consultorias terão que se adaptar e se ampliar", explica.

"A Net é uma das empresas que já está seguindo os processos de adaptação", diz Francisco Tosta Valim, presidente da Net Serviços. "A uniformização estimula as negociações, pois confere maior confiança ao mercado", afirma. Para Valim, a adequação não é mais uma opção para as empresas, mas sim uma necessidade urgente. "Teremos o balanço adaptado para os quesitos pedidos em 2008 e 2009 para que estes sirvam de base para 2010", diz. A necessidade de adaptação das instituições financeiras foi estipulada em março de 2006, pelo Banco Central, por meio do Comunicado 14.259. Este ano foi a vez da CVM emitir a Instrução nº 457, também sobre a necessidade de divulgar as demonstrações contábeis consolidadas de acordo com o IFRS a partir de 2010, sendo que as que preferirem já podem fazê-lo a partir desse ano. Nelson Carvalho e Francisco Tosta foram ganhadores do 23º Prêmio Anefac de Profissional do Ano nas categorias 'Contabilidade' e 'Administração', respectivamente.


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A economia não irá se recuperar em 2009.





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