SÃO PAULO, 21 Mai (Reuters) – As ações da HRT Participações em Petróleo chegaram a amargar a pior queda intradiária da história no início dos negócios nesta terça-feira, após a petrolífera brasileira ter anunciado descoberta de poço sem volume comercial na Namíbia e poço seco na bacia do Solimões. Às 12h37, o papel tinha queda de 18,60 por cento, a 2,67 reais. A ação não faz parte do Ibovespa, que aumentava 0,07 por cento. No pior momento até agora, a HRT chegou a afundar 23,17 por cento, a 2,52 reais, atingindo o menor valor da história do papel. Analistas destacaram que o fracasso da primeira rodada de perfurações de 2013 da HRT é negativo para as ações, e apontaram preocupação com a disponibilidade de caixa para uma empresa que só recentemente passou a ter operação comercial, com a compra de fatia em um campo da BP, na bacia de Campos. “O relógio corre contra a constante queima de caixa da companhia”, avaliaram os analistas do Espírito Santo Investment Bank Oswaldo Telles e Frederico Lebre, citando que suas estimativas indicam que os recursos disponíveis devem durar apenas até o início de 2014. A ocorrência de poços secos e subcomerciais, observou a corretora Planner em boletim, é normal no setor de petróleo, mas para uma empresa que está começando sua campanha exploratória, como a HRT, “a notícia fica dramática”. “A HRT ainda não tem venda de petróleo, assim o consumo de caixa é um fator de enorme preocupação”, disse a Planner. Ao final de 2011 a empresa tinha 1,5 bilhão de reais em caixa, que encolheu para 1,0 bilhão de reais em dez/12 e para 829 milhões de reais em março/2013. “Com este ritmo de ‘queima de caixa’, pode se estimar que ao final deste ano a HRT praticamente não terá mais recursos, a não ser que ocorram novas vendas de ativos como foi feito recentemente”, acrescentou a corretora. Para especialistas do Itaú BBA, os insucessos na exploração reportados na noite de segunda-feira afetam eventuais negociações de fatias nos blocos pela HRT. “Falta de sucesso limita a probabilidade de outro farm-out (venda de fatia) tanto na Namíbia quanto no Solimões. Esperança agora seria sucesso da perfuração em Murombe (Namíbia) e resultados só devem ser conhecidos entre final de julho e início de agosto”, afirmou o banco. PERSPECTIVAS Ainda assim, os analistas do BES afirmaram no relatório que a notícia “não muda as perspectivas ainda positivas” para as próximas rodadas de perfurações na Namíbia e os próximos passos na bacia do Solimões. Já o Credit Suisse lembrou que o comunicado da HRT observou que, apesar do poço não comercial na Namíbia, foram encontradas “duas rochas geradoras bem desenvolvidas, ricas em carbono orgânico e ambas na janela geradora de óleo”. Mas essa perspectiva não acalma o mercado, acrescentou. “Namíbia é uma fronteira de exploração e requer paciência para ser aberta, uma qualidade que os mercados acionários não possuem”, disse o banco. O próximo poço na Namíbia vai começar a ser perfurado ao final de maio. O J.P.Morgan também disse que, embora não comercial, a operação na Namíbia mostrou indicativos geológicos positivos em termos de geração de óleo, o que dá suporte para as próximas perfurações na área. “Os resultados confirmaram as expectativas de que a recente saída do Márcio Mello seria um indicativo de potenciais resultados negativos na Namíbia”, acrescentou a instituição, referindo-se ao saída do fundador da empresa da presidência-executiva recentemente. A companhia detém 55 por cento de participação em 21 blocos exploratórios localizados na bacia do Solimões. A HRT também é operadora de dez blocos exploratórios na costa da Namíbia: oito blocos na Sub-Bacia de Orange e dois blocos na Sub-Bacia de Walvis. A Galp Energia, com 14 por cento de participação, é a parceira da HRT na perfuração de três poços na atual campanha exploratória na Namíbia.