Administração Pública: Mulheres em minoria nos cargos de topo

A administração pública central tem um rosto feminino: quase 60% dos mais de 494 mil funcionários dependentes dos diferentes ministérios são mulheres. No entanto, elas estão claramente sub-representadas nos escalões de remuneração mais elevados e nas funções de topo — ocupam não mais de 32% dos cargos de director-geral ou equiparado, revela um estudo do Instituto Nacional da Administração.

Segundo este mesmo trabalho, a que o Público alude na sua edição desta segunda-feira, se nos dois escalões remuneratórios mais baixos (1200 a 1600 euros) o peso dos homens é um pouco superior ao das mulheres, no intervalo dos 3400 aos 5200 euros de salário há uma «quase paridade».

A situação só se inverte no topo, onde as mulheres representam apenas 34,5 por cento dos trabalhadores com um ordenado ilíquido superior a 5200 euros, que é o que ganha, por exemplo, um director-geral, explica a coordenadora do estudo, Helena Rato.

O domínio dos homens no topo da hierarquia salarial é «particularmente evidente» nos ministérios da Defesa, Turismo, Ambiente e Segurança Social, onde, de acordo com os dados de 2004 da Caixa Geral de Aposentações, simplesmente não há mulheres com salários ilíquidos superiores àquela fasquia.

O estudo «A igualdade de género na administração pública central portuguesa», o primeiro sobre igualdade de género no sector, fala de uma «dupla assimetria»: há um défice global de presença masculina e uma «clara sub-representação de mulheres» no topo. Porquê? Sobretudo, diz Helena Rato ao Público, «porque as mulheres têm menos disponibilidade de tempo, porque a carga das tarefas familiares concentra-se sobretudo sobre elas e porque elas se sentem mais responsáveis por não dar assistência à família».

Ou seja, «mesmo quando a oportunidade existe, as mulheres desistem muitas vezes de evoluir» na carreira porque ser dirigente implica «uma disponibilidade de tempo total».

A equipa de Helena Rato analisou ainda as respostas de 2202 técnicos superiores e dirigentes a um questionário.

Os dados relacionados com o uso do tempo na esfera privada, no grupo de inquiridos com filhos até aos 14 anos, confirmam que as mulheres-mães-profissionais estão também incumbidas de boa parte das tarefas domésticas: 63% dizem gastar pelo menos uma hora por dia com as mesmas, contra 22,6% dos homens; 14,8% gastam pelo menos outra hora a «levar/buscar à escola as crianças», contra 7,5% dos colegas do sexo masculino que relatam o mesmo dispêndio de tempo.

Mais surpreendente é que só uma pequena minoria (2,4%) das mulheres diga gastar mais de três horas por dia a prestar «cuidados a crianças pequenas». Entre os homens a percentagem é ainda mais diminuta (0,5%). Quase um terço das mulheres e 52% dos homens contaram que não realizam de todo essas tarefas ou só o fazem ocasionalmente.

Helena Rato diz que pode ter havido «diferentes interpretações», por parte de quem respondeu, sobre o que são «crianças pequenas» — «poderão, por exemplo, só ter considerado crianças pequenas até aos três anos e daí terem dito que não fazem essas tarefas porque têm filhos mais velhos». Mas, mesmo assim, não se pode deixar de ler nos números a «falta de tempo que as pessoas têm para dedicar à família».

Mais um dado: 17,7% das mulheres e um quarto dos homens disseram que não brincam nem acompanham os estudos dos filhos ou só o faziam ocasionalmente.

Quanto ao «exercício de actividades inerentes à prática da cidadania», é quase nulo. Há 81% de homens e 62% de mulheres que dizem não ter qualquer participação.




Compartilhe



Mais notícias

Leia mais notícias

Comentários


A economia mundial irá se recuperar em 2009?

Completamente.
Moderadamente.
A economia não irá se recuperar em 2009.





apoio AngradHightechADM Shop
Apresentação | Anuncie | Política de Privacidade | Contato
© 2003-2007. Administradores - O Portal da Administração.