Alan Greenspan e o futuro econômico global - Expomanagement 2007

Tachibana Zen / Lola Studio
A produção de etanol a partir da cana-de-açúcar e de celulose, assim como a expansão mundial do uso do gás natural liquefeito, aparecem atualmente como alternativas ao uso do petróleo, cujo preço está batendo na casa dos US$ 100 por barril. Porém, segundo Alan Greenspan, ex-presidente do Banco Central dos Estados Unidos (FED), outras tecnologias, como o uso da eletricidade, sobretudo na América Latina, e da energia nuclear, também despontam como promissoras num futuro próximo.

Greenspan participou, na quarta-feira (07/11), de uma videoconferência realizada no terceiro dia da ExpoManagement 2007. Ele é um dos maiores ícones econômicos de todo o mundo.

Greenspan falou durante a conferência sobre a importância da abertura do mercado chinês para a expansão da economia mundial, mas mostrou dúvidas sobre a manutenção dos níveis de seus atuais níveis de crescimento –na casa dos 10% ao ano– nos próximos anos.

Por outro lado, ao comentar o desfecho da crise imobiliária norte-americana e seus reflexos sobre o mercado local e também europeu, evitou fazer previsões, embora não descarte um período de recessão de curto prazo.

O futuro da economia mundial – Presidente do FED durante 18 anos, Greenspan continua sendo uma referência mundial em economia global, capaz de influenciar mercados.

Na videoconferência, conduzida pelo professor Paulo Rezende, ele, que vivenciou momentos dramáticos da economia norte-americana e mundial, como o colapso da bolsa da década de 80, a crise cambial asiática e o 11 de setembro, afirmou ter procurado “criar uma visão panorâmica do mundo, considerando um fluxo constante de informações, não apenas as de cunho estritamente econômico, mas também as provenientes das mais variadas fontes”, pois para ele é impossível interpretar a economia isoladamente, sem levar em conta os dados políticos e culturais.

“É preciso, sempre, observar as forças em ação e verificar mudanças no contexto, evitando se apegar a padrões pré-estabelecidos e se antecipando a eventuais crises”, declarou, com a ressalva de que prevê-las nem sempre é possível.

Futuro imediato e de longo prazo - Sobre o desfecho da crise imobiliária norte-americana, que repercutiu de forma negativa também nos mercados da Europa e Japão, especialmente, ele não se mostrou muito otimista. Segundo ele, “os preços dos imóveis ainda estão em queda, pois há grande número de unidades estocada e arrocho creditício nos EUA e Europa, com elevação das taxas interbancárias”. A tendência dos preços dos imóveis deve continuar em queda, de acordo com ele, mas ainda não se sabe qual será o patamar-limite.

Segundo Greenspan, nos EUA, essa situação tem repercutido sobre o patrimônio dos cidadãos, seu consumo e sobre o nível de atividade econômica, porém admitiu: “Antes de dois ou três meses, não saberemos se haverá recessão nos EUA”.

Mesmo adotando um tom cauteloso, Greenspan considerou que entre os países em desenvolvimento, a China, especialmente, continuará a ter importante papel na economia mundial, na expansão do comércio e na elevação do poder aquisitivo global, embora também não haja parâmetros claros para definir até quando serão mantidas as atuais taxas de crescimento dessa economia –hoje em 10% anuais.

A China e o capitalismo - “Forças capitalistas se desenvolvem nessa sociedade socialista”, disse o entrevistado, considerando que após a queda do muro de Berlim, os partidos comunistas tenderam a migrar para um socialismo democrático. Na China, exemplificou, o direito à propriedade foi recuperado, o investimento externo no país cresceu enormemente e há poucas chances de uma volta ao passado. “Os chineses são os maiores capitalistas do mundo”, constatou.

Petróleo e energias alternativas
- Greenspan evitou entrar na discussão sobre crescimento econômico e aquecimento global, mas fez uma análise geral do mercado energético mundial.

Para ele, a pressão da elevação dos preços do petróleo –hoje próximos de US$ 100 por barril– é uma ferramenta eficaz para a redução do consumo, ainda que seus preços são, em alguma medida, determinados pelas necessidades internas de capital dos países produtores/exportadores.

“A taxa de crescimento da produção é pequena, pois é onerosa, e não acompanha a elevação do consumo. O aumento do consumo não acompanhado pela produção eleva os preços”, salientou. “Por pura necessidade, teremos de deixar o consumo mais lento por meio da elevação dos preços, e quanto mais cedo isso ocorrer, melhor, para que economia mundial tenha tempo de se adaptar”, declarou.

De acordo com as avaliações de Greenspan, há grandes reservas de gás a serem exploradas no planeta, e o desenvolvimento da criogenia está possibilitando seu uso em qualquer parte do mundo. Com isso, o consumo será expandido, segundo ele. Para ele, esse produto deverá substituir o petróleo para o bem ambiental.

lém disso, ele destacou a importância do álcool de cana e da celulose, mas rechaçou o uso do milho como matéria-prima energética, pois avaliou que encarecerá mundialmente o custo dos alimentos.

Sociedades e instituições - Com o fim da guerra fria, segundo o conferencista, os bancos centrais vêm perdendo parte de seu poder, especialmente num período mais recente, em virtude da queda das taxas de juros.

Da mesma forma, também as instituições financeiras internacionais perderam terreno. Na opinião de Greenspan, tanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) quanto o Banco Mundial têm de ser reestruturados, de forma a funcionar em sistema de standby, com condições de obter empréstimos dos bancos filiados e repassá-los aos países, em caso de emergência. “Ambos estão encolhendo e sendo substituídos por um sistema financeiro global auto regulamentado”, revelou.

Previdência - Greenspan falou ainda sobre a questão da previdência e da distribuição de renda. Para ele, a mudança do perfil demográfico mundial, diante d a possibilidade do aumento da expectativa de vida da população mundial, é um problema ainda sem solução, seja na Europa, seja nos EUA ou em qualquer parte do mundo.

Segundo ele, a distribuição de renda está intimamente relacionada com educação e elevação da qualidade de vida e do poder aquisitivo das camadas mais baixas da sociedade. Greenspan se refere à chamada “destruição criativa” como um ingrediente que pode contribuir para isso, com a substituição de processos e tecnologias superados por novos, mais eficientes e produtivos, exigindo mão-de-obra cada vez mais capacitada e remunerada.

Para finalizar, o conferencista deu os parabéns ao Brasil. “Na última década, o Brasil enfrentou e saiu de duas grandes crises, e hoje está a caminho de sua ‘destruição criativa’”, disse.

Fonte: Portal HSM On-line
07/11/2007



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