O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, advertiu para a desaceleração do "processo de integração física", caso outros países da América do Sul, a exemplo do Equador, decidam rever os contratos de financiamento de obras de infra-estrutura.
Após audiência na Câmara dos Deputados, Amorim disse que o Brasil vai reagir em casos de calote. "Se o país espera ter uma cooperação com o Brasil, e o Brasil, vamos ser francos, é hoje uma das poucas fontes de crédito para alguns dos países da América do Sul, é natural que a gente vá agir. Não é por retaliação. Não há nenhum espírito de retaliação. Mas por prudência", afirmou.
"Como vou, como ministro das Relações Exteriores, favorecer um empréstimo a um país que acabou de dizer que não vai pagar um empréstimo anterior, sem nos ter consultado antes?", ponderou.
Recentemente, o governo equatoriano de Rafael Correa anunciou que não pagará a dívida de US$ 242,9 milhões com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Segundo o ministro, não houve tentativa de negociação que pudesse evitar o recurso contra o pagamento do empréstimo, tomado para a construção da usina hidrelétrica de San Francisco.
"Não houve sequer uma tentativa de negociação. Isso nos limita e, ao nos limitar, vai criar dificuldade para a integração da América do Sul. Não para a integração política, mas vai desacelerar o processo de integração física da América do Sul", disse Amorim.
Amorim afirmou, no entanto, que não há sinais de que outros países tenham decidido rever suas dívidas com o Brasil e reforçou que a política de crédito do governo brasileiro com os vizinhos sul-americanos faz parte da política de integração.
Hoje, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, pôs em dúvida a legitimidade da dívida externa do Paraguai --principalmente a contraída com o Brasil na construção da hidrelétrica de Itaipu-- e anunciou sua intenção de estudá-la "exaustivamente" e, se for o caso, de impugná-la. Lugo insistiu em que a dívida dos países latino-americanos tem de ser estudada com cuidado.