Análise: Novos indicadores condicionam reação

A recuperação dos mercados americanos na sexta-feira, após três dias de turbulência, foi entendida como uma trégua cuja extensão dependerá do comportamento dos indicadores que serão divulgados esta semana. Mesmo que venham bons, não se acredita na rápida dissipação dos temores desencadeados pelos sinais de que a inflação só cederá após novos esforços monetários por parte do Federal Reserve (Fed).
Na quarta-feira, saem os dados das vendas no varejo americano em maio, cujas projeções são de alta de 0,7%, após estabilidade em abril. Também na quarta-feira será divulgado o Livro Bege do Fed, um apanhado das condições econômicas baseado no qual o Fed toma suas decisões de política monetária.

Os indicadores mais cruciais para a definição dos mercados estão reservados para os dois dias finais da semana. Na quinta-feira, será revelado o Índice de Preços ao Produtor (PPI) e, na sexta-feria, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI), ambos referentes a maio. Os analistas esperam núcleos de 0,2% para os dois índices. E, fechando a semana, saem os números referentes à produção industrial no mês passado.

Dos mercados brasileiros, o único que não seguiu o mesmo caminho de recuperação dos demais foi o de câmbio. Enquanto a Bovespa, por exemplo, após queda matinal de 2,24%, fechou em alta de 0,54%, o dólar só acusou alta no dia. Encerrou com valorização de 0,40%, cotado a R$ 1,96. No acumulado da semana, exibiu avanço de 2,83%, quebrando uma seqüência de quatro semanas com acumulado negativo, perfazendo desvalorização total de 6,2%. A explicação está no desmonte parcial das operações especulativas mantidas por investidores estrangeiros no mercado futuro de dólar da BM & F.

A queda no volume de posições vendidas - por meio das quais o investidor aposta na baixa futura da moeda e, para concretizá-la, arma operações destinadas a derrubar a cotação à vista - carregadas pelos hedge funds foi impressionante. O ápice recente dessas posições vendidas foi atingido no pregão do dia 16 de maio, com vendas líquidas de US$ 10,99 bilhões. Pela última posição oficial conhecida, referente ao dia 6, elas caíram para US$ 3,64 bilhões. E tendem a zerar se o cenário externo, sobretudo nos EUA, persistir tenso. Internamente, as medidas cambiais baixadas pelo BC na sexta-feira pressionam indiretamente pela redução do caixa vendido a futuro. Se elas atuam para inibir as posições vendidas à vista em dólar, enfraquecem as operações destinadas a derrubar a cotação no spot para viabilizar os ganhos futuros. Pela simples razão de que o dólar não conseguir cair na BM & F se estiver subindo à vista.

O esfriamento das inquietações, comandado pelo título de 10 anos do Tesouro americano - cuja taxa, depois de subir a 5,25%, caiu a 5,12%, quase estável -, permitiu ao mercado futuro de juros da BM & F adequar as projeções à decisão do Copom de aumentar a velocidade de queda da Selic. O contrato mais negociado, para a virada do ano, caiu 0,20 ponto, para 11,22%. Mas como o BC não indicou a certeza de que os cortes prosseguirão no ritmo de 0,50 ponto, as taxas ainda não embutem a projeção de Selic a 11,50% na próxima reunião, dia 18 de julho. A ata desta reunião, a ser publicada na quinta-feira, não deve ser conclusiva acerca da adoção de um ritmo de queda. Depois das medidas administrativas na área cambial, anunciadas na sexta-feira, os tesoureiros têm certeza de que a taxa básica de juros não será usada para conter a desvalorização do dólar. O BC irá evitar novas rodadas de apreciação cambial via intervenções de compra e providências legais. Foi por isso que o estrangeiro inverteu sua posição no DI futuro, de vendida para comprada . Por dever de ofício, nem os tesoureiros que cuidam das carteiras próprias dos bancos nem os gestores de fundos podem, no pregão de DI futuro, brincar com o dinheiro que não lhes pertence. Mais do que os bônus anuais, estão em jogo os seus empregos. Diante de uma onda de reversão abrupta de posições especulativas não podem simplesmente ficar parados e sustentar, contra todos, a sua certeza de que os fundamentos econômicos autorizam a persistência do movimento acelerado de queda da taxa Selic. A razão é que as chamadas de margem são diárias, as perdas ou os ganhos são liquidados diariamente, por diferença. Nadar contra a corrente dos ajustes é, no DI futuro, uma obstinação insensata.

Os tesoureiros não podem ficar passivos e, ao menor sinal de inversão de rota, consistente ou não, fundamentada ou visivelmente irracional, têm de ir junto. Foi o que fizeram na terça e na quarta-feira da semana passada, dias cruciais pois de reunião do Copom. A partir dos movimentos destinados à cobertura de prejuízos, analistas inferiram que tinham mudado seu prognóstico para o resultado do Copom. Nada disso, estavam apenas evitando que a possibilidade de perdas se transformasse em tombo concreto. Ao contrário deles, o Copom não sofre a pressão da chamada diária de margem. Por obrigação, o Comitê se ocupa do longo prazo. O presidente do BC, Henrique Meirelles, já reiterou que o Copom olha nove meses à frente. Uma decisão de política monetária tomada agora só terá efeito sobre a inflação e a atividade em março do ano que vem. O Copom só age sob pressão se tiver diante de si um inquestionável choque externo de desdobramentos imprevisíveis. Nestas ocasiões, o BC não costuma esperar pela próxima reunião formal para só então subir o juro.





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Comentários


A economia mundial irá se recuperar em 2009?

Completamente.
Moderadamente.
A economia não irá se recuperar em 2009.





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