O presidente George W. Bush assinou na última sexta-feira (3) o pacote de US$ 700 bilhões aprovado pelo Congresso norte-americano, imediatamente após a sua sanção. No início da semana, o plano havia sido rejeitado pelo Congresso, o que causou grande nervosismo nos mercados internacionais. Depois de passar por algumas modificações, a proposta foi aprovada pelo Senado dos EUA.
O analista Márcio Peppe, sócio-diretor da BDO Trevisan e especialista em gestão de riscos, afirma que a aprovação do plano de ajuda era o único modo para reduzir os impactos da crise, porém, diz, não é o que vai resolver na sua totalidade. “O plano garante a liquidez para as instituições financeiras e coloca, ao governo americano, a questão de dar o devido tratamento aos títulos de baixa qualidade recebidos ou adquiridos de instituições em crise de liquidez”, diz.
Para Peppe, a questão do tratamento dos títulos que vem sendo chamados de “podres”, passa, necessariamente pela recuperação da condição de pagamento dos devedores. “Essa recuperação deve considerar aspectos de renegociação da dívida, contemplando repactuação de prazos, de taxa de juros e, possivelmente, a reavaliação dos bens (imóveis) que servem como garantia das operações de subprime. Podendo ocorrer, por conta dessa reavaliação, a apuração de perdas considerando o saldo da dívida e o valor de realizações (vendas) das garantias”, afirma dizendo que a recuperação dos devedores deve ser considerada, “pois eles já foram, são ou serão contribuintes”, completa.
Sobre os mercados, Márcio Peppe diz que ainda estão passando por um efeito ‘ressaca’. “Boa parte do movimento do mercado financeiro refere-se a investimentos externos e a sua estabilização ocorrerá de forma paulatina, considerando a percepção dos investidores quanto à efetividade do pacote”, conclui.