Nesta terça-feira (29), esteve em Porto Alegre James Hunter, consultor norte-americano em liderança e autor do livro “O Monge e o Executivo” – que vendeu mais de 200 mil exemplares só no Brasil.
Hunter foi um dos palestrantes do 3º Seminário Brasil Visão do Futuro – A nova Consciência de Liderança, promovido pela Modus Educação Corporativa. Antes de começar sua participação no evento, Hunter concedeu entrevista à imprensa e apresentou algumas de suas principais idéias. O consultor defende o conceito de liderança servidora dentro das companhias. “Os melhores líderes são aqueles que passam pela fase de ‘servo’”, explica Hunter. O autor também afirma que a alternância de “abraços e palmadas” – ou seja, elogios e críticas – é importante para manter a eficácia dos funcionários.
“Mas é preciso saber medir as duas coisas. Nos Estados Unidos, por exemplo, dois terços das demissões voluntárias ocorrem devido à insatisfação do funcionário com o chefe e não com as empresas”. Em 20 anos de atividade, Hunter já prestou consultoria para grandes empresas norte-americanas – como Procter Gamble e American Express.
Seu segundo livro, "The World’s Most Powerful Leadership Principle” (ainda sem título sem português) já faz sucesso nos EUA e deve chegar ao Brasil em maio do próximo ano. “Estou trabalhando em um terceiro livro, mas a vida de escritor é secundária para mim”, comenta Hunter.
Confira, abaixo, algumas das opiniões de Hunter:
Você prega que autoridade é construída com sacrifício, amor e dedicação. Qual o sentido de “sacrifício” neste caso?
Certo dia, compreendi que liderança é a capacidade de influenciar pessoas. Logo, tentei imaginar quem teria sido o maior líder nesse sentido – e cheguei à conclusão de que foi Jesus Cristo, devido à enorme influência que exerceu. Então, procurei descobrir o que ele disse sobre liderança. Ele não falou muita coisa – aliás, disse somente uma frase: "Qualquer um de vocês que deseje ser um líder tem que ser antes um servidor". Ou seja, liderar é servir. Eu não entendi esse conceito no início, pois o líder é aquele que comanda – é o chefão. No entanto, acabei percebendo a diferença entre poder e autoridade. Poder é a capacidade de impor a vontade à força. Autoridade é o talento de conquistar as pessoas e fazer com que elas obedeçam de bom grado. Por exemplo, minha mãe não tem poder, pois é uma senhora idosa, mas tem enorme autoridade sobre mim. Onde ela conseguiu isso? Lendo um livro? Não: ela me serviu e se sacrificou por mim. Autoridade se constrói com serviço e sacrifício.
Mas é possível aplicar esse método de gestão no mundo de hoje, em que as pessoas são tão egoístas e a palavra 'serviço' parece ter sido apagada do dicionário?É possível, sim. As pessoas sempre foram egoístas. Se você quer saber o que é a natureza humana, veja como age uma criança de dois anos. Algumas pessoas crescem e deixam de ser egoístas, enquanto outras não. Todas as religiões do mundo falam que o egoísmo é a base de nossos problemas, mas podemos superar esse sentimento.
As empresas estão preparadas para este tipo de liderança?
Sem dúvida. Nos Estados Unidos, por exemplo, há vários casos de sucesso. O fundador do Wal-Mart disse em 1962, ao abrir a primeira loja: "Se você quiser destruir seu negócio, trate mal seus funcionários, pois eles vão descarregar nos clientes". Ou seja, nunca espere que seus funcionários tratem seus clientes melhor do que eles são tratados. Há uma pesquisa anual da revista Fortune que determina as 100 melhores empresas para se trabalhar nos EUA. Em 2005, 35 das companhias apontadas utilizavam liderança servidora.
Você acha que os MBAs, que estão tão em moda hoje em dia, sabem cumprir este papel?
Muitos currículos nos Estados Unidos estão mudando para incluir esse aspecto da liderança. Todo ano, os EUA formam 110 mil MBAs. Muitos desses jovens entram nas empresas tentando impressionar as pessoas com todo seu conhecimento - e isto é horrível. Qualquer pessoa pode aprender gerenciamento em um MBA. Porém, o que as companhias procuram é profissionais com capacidade de liderança. E liderança não é gerenciamento. Os líderes têm que conquistar os funcionários em seu coração, mente, espírito, criatividade e excelência.