Segundo o Instituto Ethos 40% das 500 maiores empresas do Brasil promovem ações em favor da diversidade, mas isso é só o começo
Por Daniela de Lacerda
Nos últimos 30 anos, a liberalização dos costumes vem minimizando preconceitos e fazendo com que as pessoas fiquem mais abertas às peculiaridades umas das outras. Mas ainda vai ser preciso muita discussão para que os profissionais brasileiros aprendam a lidar com a diferença. "Há vários discursos politicamente corretos, mas no dia-a-dia ainda não se vê tanta flexibilidade", diz o consultor Moacir Carlos Sampaio Silva, consultor em comportamento organizacional e coordenador da pós-graduação em psicologia social das organizações no Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo.
Segundo ele, algumas empresas ainda mantêm rígidos padrões de imagem e comportamento. E quem não corresponde a esses modelos muitas vezes é carta fora do baralho. Para não correr esse risco, alguns profissionais vivem divididos entre o que realmente são e a tentativa de ser o que a empresa espera deles. Essa preocupação gera uma profunda tensão. "Quando o perfil idealizado pela companhia se distancia da sua vocação e dos seus valores pessoais, a tentativa de seguir esse modelo significa a sua própria desestruturação", afirma o consultor. Nesse caso, quanto mais você se enquadra profissionalmente, mais desajustado está consigo mesmo.
Para a consultora Gladys Zrncevich, da GlaZ Consultoria em RH, essa distância entre a expectativa da empresa e os valores dos funcionários é resultado de uma visão limitada do conceito de diversidade. "Muitas pessoas acham que isso significa aceitar quem pensa como você, embora tenha uma cor diferente", afirma. "Mas essa percepção é muito superficial e só arranha o significado da diversidade".