Apertando o cinto: atitude dos consumidores para cortar gastos é parar de comprar

Reduzir os gastos e fazer o dinheiro sobrar no final do mês são metas perseguidas em qualquer parte do mundo. E as estratégias para conseguir isso também. Pesquisa realizada pela empresa americana comScore revela que os consumidores, quando desejam cortar gastos, adotam medidas bem objetivas: parar de comprar.

Cortes nas compras

A pesquisa considerou, dentre outras variáveis, o comportamento do consumidor americano no mês de junho, e apontou que 68% dos entrevistados decidem comprar com menor freqüência, quando o assunto é cortar despesas. Outros 66% confirmam o discurso, declarando que, em caso de aperto, compram apenas produtos para atender a necessidades básicas.

Manter o consumo, procurando por outras marcas, ou até por produtos genéricos, é a atitude mais eficiente no corte de despesas para 52%, e procurar por liquidações e ofertas é a tática de 40% dos consumidores norte-americanos.

De modo geral, as compras são os primeiros cortes no orçamento feitos pelos americano. Quando solicitado que indicassem quais itens eles cortariam de seus gastos, as compras representaram 69% das respostas.

Equilíbrio difícil

Os resultados não chegam a surpreender. Eles revelam a dificuldade recorrente, no Brasil e em qualquer parte do mundo, em se conseguir um consumo equilibrado. Quando os gastos não estão em harmonia com o orçamento, e o consumidor não se preocupa em encontrar os produtos mais baratos, por exemplo, aparece a necessidade de cortes repentinos nas despesas, e o consumo reduz drasticamente.

Além da tendência natural dos brasileiros - e dos americanos, argentinos, ingleses etc. - em gastar mais do que ganham, as atuais condições da economia favorecem os impulsos consumistas. Há mais renda, por exemplo. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou dados informando que a renda média do trabalhador brasileiro aumentou em 12 meses.

Há também mais crédito. A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) estima que em 2008 o crédito ao consumidor continuará crescendo, ainda que em menor ritmo. Isso significa que as condições de financiamento estão mais fáceis, com prazos maiores, e parcelas mais enxutas.

Esta soma de fatores se traduz em mercadorias mais disponíveis, e os consumidores muitas vezes acabam cedendo aos impulsos, comprometendo o orçamento com produtos dos quais nem sempre necessitam. E quando a situação aperta, os cortes tendem a ser imediatos.

Básico, mas nem tanto

A situação, embora possa envolver fatores mais complexos, muitas vezes é simplesmente questão de educação financeira, cada vez mais rara entre os consumidores. O conceito fundamental de gastar menos do que se ganha é esquecido com uma rapidez maior do que aquela com que se faz as compras.

Com um planejamento financeiro levado a sério, incorporando hábitos como a avaliação do "quanto realmente preciso desse produto", ou se ele "não pode ser encontrado por um preço menor", o consumo não precisa ser cortado "pela raiz", podendo ser mantido sem surpresas desagradáveis, nem comprometimento do orçamento.


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A economia não irá se recuperar em 2009.





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