Apesar de elevada, taxa de mortalidade das empresas de SP caiu para 56% em 5 anos

21 de outubro de 2005 às 09:01
A cada dez micro e pequenas empresas criadas no Estado de São Paulo, cerca de seis não passam dos cinco anos de atividade, ou uma taxa de mortalidade de 56%. O número, referente a 2004, é bastante elevado, mas o quadro melhorou muito nos últimos anos. Em 2000, por exemplo, a taxa era de 71%.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (20) pelo Sebrae-SP e fazem parte da pesquisa Sobrevivência e Mortalidade das Micro e Pequenas Empresas de 1 a 5 anos. O estudo analisou 4.650 empresas, no período de outubro a dezembro do ano passado.

Em números absolutos, foram fechadas 91 mil empresas em 2000, enquanto outras 122 haviam sido abertas na Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo). A última pesquisa mostra que, das 128 mil que iniciaram suas atividades, 73 mil fecharam as portas em cinco anos.

Impacto na economia
Ainda de acordo com o Sebrae, como as MPEs respondem por nada menos que 99% das empresas formais, o elevado número de fechamentos gera um impacto muito significativo na economia.

Para se ter uma idéia, apenas no ano passado 281 mil empregos foram cortados, chegando a uma perda financeira de R$ 14,8 bilhões, entre poupança pessoal (R$ 1,7 bilhão) e faturamento que deixou de ser auferido (R$ 13,1 bilhões). Em outras palavras, a perda equivale a 69 milhões de cesta básica por ano a um valor de R$ 213, segundo dados do Procon.

Principais motivos
A causa mais citada para justificar as falhas de planejamento para abertura da empresa, segundo o estudo, foi o erro na contratação na mão-de-obra (58%), seguido da falta de conhecimento do público-alvo (53%) e da concorrência (49%). O investimento subestimado surge como último problema no ranking (36%).

Vale dizer que erros em relação à localização (47%), aspectos legais do negócio (42%) e informações sobre fornecedores (38%) também foram freqüentemente lembrados por quem teve que fechar sua empresa.

Outra constatação interessante do estudo: quando estavam em atividade, 31% dos empresários acreditavam que, para a empresa sobreviver, deveria haver, sobretudo, políticas governamentais de apoio às MPEs, contra 22% que apostam mais em um bom pré-planejamento. Esta percepção é invertida quando a fechamento já aconteceu: 33% passam a priorizar o bom planejamento no lugar das políticas governamentais (25%).

E, como era de se esperar, a falta de capital foi determinante, segundo 25% das empresas, para seu fechamento. Destacam-se ainda outros motivos como a falta de clientes/inadimplência (19%), problemas de planejamento/administração (11%) e problemas com sócios (9%).

Assim, 31% acreditam que menos encargos e impostos poderiam ter salvo suas empresas, mesmo percentual dos que acham que uma consultoria empresarial teria sido a solução. Outros 30% culpam a economia como um todo, e 19% acham que foi o problema foi a falta de empréstimos bancários.


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