Apocalipse Urbano

Você com certeza já deve ter passado por uma situação assim: trânsito parado, quilômetros de engarrafamento, estresse, mau-humor e lentidão. Pensando em soluções para esse problema, o Conselho Regional de Administração (CRA) de São Paulo debate, amanhã (27), a questão do transporte e do trânsito nas grandes cidades. Para isso, chamou o ex-secretário dos Transportes do Estado de São Paulo e ex-presidente da Companhia do Metropolitano de São Paulo, Plínio Assman, para proferir a palestra: Trânsito, o Transporte e a Administração Pública no Brasil. A participação no evento é gratuita e começa às 19h na sede do CRA.

Se você acha que o cenário caótico pintado pelas filas de carros é próprio das grandes cidades, se engana. Cada vez mais o caos no trânsito vem se instalando nas cidades de médio porte, gerando preocupações e exigindo medidas urgentes.

Nessa ampla discussão muitos pontos são enumerados. O primeiro deles é, sem dúvida, o problema do transporte público e do planejamento do desenho urbano.

A respeito disso, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolveram um sistema on-line que permite a participação da população no processo decisório de planejamento da mobilidade urbana.

O projeto, intitulado de Sistema de Suporte à Decisão Espacial para o Planejamento Urbano e de Transportes Integrado e Sustentável (Planuts), será mais um subsídio para os planejadores e tomadores de decisão no tocante ao planejamento urbano e de transportes, uma vez que irá integrar a população nessas tomadas de decisões, visando a sustentabilidade urbana em cidades de médio porte no Brasil.

Segundo Renata Cardoso Magagnin, professora do Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo da Unesp, em Bauru (SP) e autora do projeto, a ferramenta permite que os moradores e especialistas avaliem os problemas, necessidades e prioridades da cidade em termos de mobilidade urbana, gerando uma série de indicadores que podem ser usados pelos gestores para traçar o planejamento.

O local escolhido para o teste foi Bauru, no interior de São Paulo, que tem 350 mil habitantes e um carro nas ruas para cada 2,4 pessoas.

Para Magagnin, algumas soluções eficientes para diminuir o estresse no trânsito, além do famigerado (e pouco obedecido) rodízio, são a revisão do desenho urbano, o desenvolvimento de meios não motorizados de transporte, a priorização do transporte público coletivo e o investimento em calçadas.

O caos no trânsito, mais do que gerar estresse e doenças nas pessoas, causa um mal maior. Causa uma desaceleração na economia, com queda de produtividade. É o que mostrou uma pesquisa com dados da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), da UITP (associação internacional na área de transporte público), de instituições estatais dos países analisados e do próprio Citigroup.

Segundo os números, o tempo gasto em congestionamentos gera uma perda de 5% na produtividade do país. E os números tendem a aumentar até 2013, limitando, assim, o potencial de crescimento econômico do Brasil e de outros países latino-americano.

Diante de tantos números assustadores, o melhor a fazer é se mirar nos exemplos dos franceses e adotar a velha bicicleta, companheira de infância, como transporte. Ou simplesmente tentar abstrair o apocalipse que se desenrola fora do seu carro.




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