Em setembro, mês em que a crise financeira internacional se intensificou, o comércio varejista brasileiro passou ileso em meio ao furacão da economia. As vendas continuaram em ritmo elevado e não refletiram os efeitos da turbulência, segundo o coordenador da pesquisa mensal de comércio do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Reinaldo Pereira.
Ele evitou fazer projeções sobre rumos do comércio no último trimestre no ano, mas ressaltou que as medidas do governo para injetar mais crédito no mercado poderão manter as vendas em alta.
"O governo parece querer enfrentar a crise estimulando o mercado interno, o que significa manter o nível de consumo alto", afirmou durante apresentação dos resultados do comércio.
As vendas no comércio no país cresceram 1,2% em setembro, na comparação com o mês anterior. Em relação a setembro de 2007, houve alta de 9,4%.
No acumulado de 2008 até setembro o comércio tem crescimento de 10,4% na comparação com o mesmo período um ano antes. Nos 12 meses até setembro, as vendas cresceram 10,3%.
O setor de hiper e supermercados demostrou um desempenho mais tímido com aumento de 0,6% nas vendas de setembro frente a agosto, e de 1,4% na comparação com igual período em 2007.
O fraco desempenho em relação ao ano passado --em julho a alta foi de 5,4% e, em agosto, 7,9%-- pode ser explicado pelo preço mais alto dos alimentos e pelo maior número de finais de semana verificado em setembro de 2007.
As vendas de móveis e eletrodomésticos exerceram a maior influência sobre o resultado do comércio em setembro. Na comparação com agosto, subiram 3,1% e, em relação a setembro de 2007, a expansão chegou a 21,3%.
Segundo Pereira, o resultado pode estar refletindo antecipações de compra que estariam ligadas à expectativa do aumento de preços em função da desvalorização do real frente ao dólar. "A antecipação do 13º salário para aposentados da Previdência também pode ter se refletido nas vendas desse segmento", afirmou.