Eu estou de saco cheio de crises. Literalmente.
Nasci em 1962, ano da crise dos mísseis soviéticos em Cuba, que literalmente quase acaba com o mundo.
Era apenas um rechonchudo bebê quando tivemos a crise político-institucional que resultou em 20 anos de ditadura.
Quando completei 18 anos o mundo começava a viver a doutrina Carter, cujo objetivo era combate a crise econômica mundial que culminaria com grande recessão americana de 1990-91.
E por aí vai... em 1995, crise do México, em 97, a da Ásia. Rússia em 1998, Brasil em 1999, Argentina em 2001. Isso sem falar na bolha da Nasdaq. Finalmente chegamos à crise americana de 2009.
É crise demais para um homem de apenas 46 anos. Chega! Não agüento mais!
Sabe o que vou fazer daqui para frente? Lembrar-me do cavalo Boxer, personagem de Aldous Huxley na magistral obra "Animal Farm". Quem leu o livro se lembra que, perante todos os desafios e decepções que Boxer sofria em função da gestão temerária que os porcos faziam da fazenda, o cavalo tinha apenas uma idéia obstinada: "vou trabalhar cada vez mais".
É isso aí. Vou para rua vender lenços, construirei moinhos enquanto alguns se abrigam da tempestade. Vou continuar investindo nas empresas que acreditam que as pessoas são importantes. Vou apoiar meus sócios na decisão de dar desconto para quem quiser continuar desenvolvendo seus talentos humanos. Vou continuar dando meus treinamentos e reafirmando minha crença absoluta na capacidade do ser humano de superar seus problemas e limitações. Enfim, tudo aquilo que puder ajudar aos meus clientes e à minha empresa a tirar proveito da crise.
Terei em mente a música de Renato Russo que pergunta:
"se lembra que a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era para sempre
Sem saber, que o para sempre
Sempre acaba"
Vou apostar que amanhã a bolsa sobe 10% e o dólar cai 15%. Quero ser a velhinha de Taubaté do Millôr. Quero sofrer da síndrome da Poliana. Quero continuar acordando sábado cedinho na minha querida Oliveira e vendo que o povo simples e humilde da roça continua plantando seu feijãozinho e levando para a feira para vender. Quero tomar sorvete e caminhar na calçada com minha namorada, despreocupadamente, com olhos e ouvidos dispostos a ouvir somente coisas boas.
Se você é daqueles que acham que a crise é pra sempre, que nada há a fazer além de esperar pelo pior (que ainda está por vir), te peço um favor: fique longe de mim.
Não quero ser contaminado pelo seu pessimismo pestilento. Não quero dividir seus medos de perder o emprego. Não vou concordar com você e cancelar minhas férias no exterior porque o dólar está caro.
Eu sou brasileiro e, como diria Euclides da Cunha, essencialmente um forte.
E, Você, meu caro leitor, o que vai fazer a respeito?
"Levanta-te e anda"
*J.B. Vilhena. - Presidente do Instituto MVC, autor do Manual de Universidades Corporativas e ...CRISÓLOGO