Assessor de Lula diz que Brasil não vai tolerar ruptura institucional na Bolívia

12 de setembro de 2008 às 08:34
O assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, afirmou nesta quinta-feira (11) que o Brasil não vai tolerar rupturas institucionais na Bolívia e que nenhuma tentativa de substituir Evo Morales pela força será apoiada.

Ele disse que essa posição não é só do Brasil, mas foi apoiada pelos presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e da Venezuela, Hugo Chávez, com quem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone nesta quinta-feira.

“Nós não toleraremos uma ruptura do ordenamento constitucional boliviano. Nós não reconheceremos nenhum governo que queira substituir o governo constitucional da Bolívia”, salientou Garcia.

Segundo ele, o Brasil está organizando um “grupo de amigos” composto pelos presidentes da Venezuela e da Argentina, além do brasileiro. Esse grupo vai tentar evitar que a crise se agrave e os conflitos civis se generalizem no país vizinho. Esses presidentes, que devem receber o apoio da presidente do Chile, Michelle Bachelet, com quem Lula conversa ainda hoje, tentarão também estabelecer um canal de diálogo entre o governo de Morales e seus opositores.

Garcia revelou também que a diplomacia brasileira está de malas prontas para viajar até a Bolívia e ajudar no diálogo. “Aguardamos apenas um sinal do governo boliviano”, disse.

Conflito


O fornecimento de gás ao Brasil foi prejudicado após o início de confrontos entre governistas e partidários de grupos de oposição no departamento boliviano de Pando, próximo à fronteira com o Brasil. Desde o início dos conflitos, pelo menos quatro pessoas já morreram.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou na manhã desta quinta ao presidente Evo Morales para discutir a crise na Bolívia e o fornecimento de gás ao Brasil.

Agora à tarde, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) disse que o fornecimento ao Brasil foi quase todo restabelecido e que não será necessário um plano de contigência.

O abastecimento em São Paulo não foi prejudicado, segundo a Comgas, empresa que abastece 67 municípios do estado. A empresa divulgou nota nesta quinta informando que a crise não afetará as operações da empresa.

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