Banco Central padroniza área de gestão de risco de crédito

23 de setembro de 2008 às 14:39

O edital que padroniza políticas, processos, procedimentos e sistemas de análise de risco para concessão de crédito, lançado pelo Banco Central, pode ter sido acelerado pelo agravamento da crise financeira internacional. A opinião é do gerente do Departamento de de Gestão Estratégico de Risco do banco Nossa Caixa, Max Frauendorf. Em resumo, o BC quer que todas as instituições do País tenham áreas que obedeçam aos mesmos procedimentos de análise de risco de crédito.

Para o executivo, a normativa já era esperada para compor a estrutura de gestão de risco, uma vez que havia duas outras resoluções que regulavam a gestão de riscos operacionais e de mercado. Segundo o Banco Central, a proposta já estava prevista desde o ano passado. "A resolução é até um pouco tardia. O momento foi uma coincidência, mas talvez os últimos acontecimentos a tenham apressado", acredita o gerente da Nossa Caixa, que diz que o documento foi bastante debatido antes de se tornar edital e está em consonância com o marco regulatório Basiléa II.

A proposta está em edital de audiência pública e os interessados poderão dar sugestões ao documento durante 60 dias. A idéia é padronizar informações e passos a serem dados para a criação do setor dentro do banco, com indicadores que amparem as carteiras de crédito das instituições. Quanto aos prazos, Frauendorf os vê como bastante razoáveis, principalmente para as instituições que já estavam se estruturando com o marco. A política, os processos, procedimentos e sistemas necessários para implementação da estrutura devem ser definidos até 31 de dezembro de 2009. O setor deve estar totalmente implementado até o dia 30 de junho de 2010. "As instituições estarão aptas a cumprir a proposta, que é uma normativa pertinente para a estrutura financeira". Segundo ele, não é uma regulamentação exaustiva na avaliação de produtos e clientes, mas privilegia a criação de estrutura de políticas e estratégias de crédito. De acordo com o BC, o crédito ainda é o principal risco a que está sujeita a grande maioria das instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

A medida, segundo ele, veio em consonância com o crescimento do crédito, que hoje corresponde a 37% do Produto Interno Bruto (PIB). Essa consolidação deixa o setor menos suscetível e diminui riscos operacionais. Há também um ganho intangível, diz, junto às agências de gestão de risco. O mercado ganha mais sustentabilidade e, assim, "podemos melhorar nosso rating e diminuir os custos de captação de recursos".

Bradesco

Para o presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, a crise financeira tornou mais difícil a renovação de linhas de bancos no exterior, situação considerada por ele "natural" em tempos de turbulência. O executivo, porém, disse haver "recursos à vontade" no mercado interno. "Não temos encontrado dificuldades para linhas de crédito: os recursos estão um pouco mais caros, mas não faltam", afirmou, observando que há bancos que captam, atualmente, ao custo de 103%, 104% do CDI. Cypriano descartou que a crise no exterior afete as demonstrações financeiras do Bradesco. "Não tem como vincular uma coisa com a outra: não temos nenhum dos títulos que deram origem à crise do subprime lá fora", justificou. Ademais, aponta ele, o mercado imobiliário no Brasil tem regras muito bem amarradas e que permitem uma retomada "muito mais rápida" de bens eventualmente inadimplentes.

De acordo com o presidente do Bradesco, as projeções para o crescimento da carteira de crédito do banco estão mantidas entre 24% e 29% neste ano. Para o executivo, o movimento de alta nas taxas de juros, "que subiram porque a Selic cresceu", e a redução dos prazos médios dos empréstimos, "que já está em curso há seis, sete meses", não devem afetar a demanda por crédito. Segundo ele, no passado as linhas mais longas eram de "98, 99 meses", período que o mercado entendia como um "risco". Agora, o Bradesco trabalha, no caso de financiamento para veículos, com um prazo médio de 40 meses e máximo de 60 meses.


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