Bovespa fecha em queda de 7,59%, o pior tombo desde o 11 de Setembro

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) registrou nesta segunda-feira o seu pior tombo desde a data histórica de 11 de setembro de 2001. A quebra do banco Lehman Brothers surpreendeu analistas e investidores e arrastou as Bolsas de Valores pelo mundo, sem poupar a Bolsa brasileira, que desceu para o seu menor nível, em pontos, desde 16 de agosto de 2007.

"Todo mundo esperava que o Lehman encontrasse um comprador, como ocorreu com o Bears Stearns [banco de investimentos], que foi comprado pelo JP Morgan. Agora, o maior problema é com as contrapartes. Todos esses grandes bancos são muito ligados e provavelmente, alguns vão ter que colocar nos balanços perdas até maior do que o esperado [por causa do Lehman]", avalia Cristiano Souza, economista do banco Real.

O termômetro da Bolsa paulista, o Ibovespa, despencou 7,59% e recuou para os 48.416 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,57 bilhões, inflado pelo vencimento de opções na Bolsa.

Opções são contratos que negociam direitos de compra ou venda de um ativo financeiro (no caso, ações negociadas na Bovespa), sendo negociados no mercado futuro. O vencimento de hoje foi mais um sinal do pânico dos investidores: as opções mais exercidas foram os contratos de venda, principalmente de Petrobras, o papel mais negociado no mercado acionário brasileiro.

O dólar comercial foi cotado a R$ 1,808 na venda, num salto de 1,51% sobre a cotação de sexta-feira. A taxa de risco-país disparou quase 17% e marca 309 pontos.

"O mercado vai ser afetado porque aumenta a aversão [do investidor global] a qualquer ativo que tenha um risco maior que o papel do Tesouro Americano. Quer dizer, nesse processo, sofrem as commodities, que já estão caindo, e as ações de mercados emergentes", avalia Cristiano Souza, do banco Real.

O gerente da mesa de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo, acredita que a cotação da moeda americana deve oscilar entre R$ 1,80 e R$ 1,85 nos próximos dias. Ele acredita que ainda é "muito cedo" para pensar no dólar valendo R$ 2, como chegou a ser sugerido por algumas vozes mais "radicais" do mercado financeiro. "Ainda está muito cedo [para projetar uma taxa ainda mais alta]. No ápice da crise, o dólar não chegou nesse patamar [R$ 2]", avalia.

A derrocada das Bolsas mundiais começou logo pela manhã, com os mercados asiáticos. A Bolsa indiana despencou 5,4%, enquanto Taiwan perdeu 4,1%. Depois, o nervosismo contagiou os mercados europeus e americanos. Em Londres, a Bolsa local caiu 3,92% enquanto o mercado francês retraiu 3,78% e Frankfurt registrou perda de 2,74%.

Nos EUA, as Bolsas de Valores exibiram seus piores números desde os ataques terroristas de 11 de setembro: o mundial influente índice Dow Jones retrocedeu 4,42%, enquanto o Nasdaq teve baixa de 3,59%.

Lehman


O anúncio do Lehman é mais um episódio da crise dos créditos "subprime", que abala o sistema financeiro americano há cerca de um ano e está na origem da desaceleração das economias centrais.

Há semanas, o mercado segue o "drama" do banco de investimentos à procura de um comprador e ainda sob expectativa de uma operação de resgate do governo dos EUA, em moldes semelhantes ao ocorrido com a Fannie Mae e a Freddie Mac, gigantes do setor hipotecário.

As duas expectativas, no entanto, foram frustradas: a "solução de mercado" se perdeu, com a desistência dos potenciais compradores --primeiro, o banco coreano KDB, e depois, o britânico Barclays e neste final, a derradeira 'pá de cal' foi jogada, com a indicação do governo americano de que não resgataria o banco de investimentos.

O anúncio do Lehman também eleva o nível de nervosismo dos mercados devido ao fator "bola da vez". O mercado se lembra de que a situação do setor financeiro americano e europeu continua muito ruim e começa a esperar pela próxima quebra.

Analistas lembram, com algum alívio, de que a mais provável e próxima "bola da vez" já foi equacionada: o banco Merrill Lynch foi vendido ao Bank of America por US$ 50 bilhões. Temem, no entanto, pela seguradora AIG e pelo banco Washington Mutual.

Além disso, o Fed cumpriu a promessa de disponibilizar dinheiro para salvar os bancos dos Estados Unidos, com a liberação nesta segunda-feira de uma verba de refinanciamento de US$ 70 bilhões. Estas operações de refinanciamento permitem aos bancos comerciais, e desde março aos bancos de negócios, obter dinheiro em troca de títulos financeiros.


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