Brasil amplia a influência em foros internacionais

A política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguiu seus resultados mais ambicionados - a conclusão da Rodada Doha e a cadeira permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). No entanto, foi bastante eficaz na montagem de novos organismos internacionais e na proliferação de reuniões de cúpula e de chanceleres. Apenas neste ano, Lula correu o mundo para comparecer a dez reuniões de chefes de Estado, sem contar os encontros com líderes da vizinhança sul-americana, como o que manterá hoje, em Manaus, com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, do Equador, Rafael Correa e da Bolívia, Evo Morales. Entre outubro e o final de dezembro, Lula estará presente em mais duas cúpulas e será o anfitrião do encontro semestral dos presidentes do Mercosul e também da Cúpula da América Latina e do Caribe, em Salvador (BA).


Desde sua posse, em 2003, novos movimentos foram percebidos na forma de o Itamaraty atuar na esfera multilateral. Na redondeza latino-americana, antigos agrupamentos caíram no ostracismo - especialmente os que davam ampla vazão às posições dos Estados Unidos - e foram suplantados por novas instituições. A Organização dos Estados Americanos (OEA), apesar de sua estrutura institucional e de seus 60 anos de história, e o Grupo do Rio, criado em 1986, acabaram ofuscados pelas ações da recém-nascida União Sul-americana de Nações (Unasul).


Em dezembro, Lula tentará lançar as bases de um projeto de integração econômico-comercial e de cooperação em diversas áreas que envolverá toda a região. Em princípio, há chance de esse projeto consolidar-se como alternativa à Área de Livre Comércio das Américas (Alca), cuja negociação foi enterrada pelo Brasil, Argentina e Venezuela, em 2005. Mas, conforme o receituário vigente no Itamaraty, sem as indesejadas pressões e os modelos dos EUA.


O G-20, criado em 2003 como frente de países importadores e exportadores de alimentos nas negociações agrícolas da Organização Mundial do Comércio (OMC), foi a maior expressão dessa política. Vetou a redução das ambições da Rodada Doha e apresentou-se como força coesa diante dos EUA e da União Européia. Mas, em julho, ruiu diante de um impasse interno sobre o grau de proteção agrícola promovido pela Índia, Indonésia e seus aliados. A Rodada naufragou junto.


Na sua ânsia de influir nos foros de poder mundial, o Itamaraty aproveitou-se de organismos já existentes para amarrar novos agrupamentos. Do G-5 - grupo formado pela África do Sul, Brasil, China, Índia e México que tem sido convidado nos últimos anos para um "diálogo" nas reuniões do G-8, as sete economias mais ricas e a Rússia - nasceram o Fórum Ibas (Brasil, Índia e África do Sul) e a cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).


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