"O consumidor japonês tem uma reação completamente diferente do brasileiro, preocupando-se muito mais com minúcias. Portanto, convém tomar alguns cuidados específicos", afirma o diretor-presidente da Jetro (Japan External Trade Organization), Ko Sasaki. A convite do Sistema de Apoio à Exportação (SAX) de Santo André, na região do ABC paulista, ele apresentou palestra em que explicou os procedimentos necessários para as micro e pequenas empresas nacionais poderem exportar seus produtos e serviços ao Japão. A Jetro, que é o órgão oficial de comércio exterior nipônico, tem 73 escritórios de representação espalhados por 54 países.
Segundo Ko Sasaki, os brasileiros que têm interesse em ingressar no mercado japonês precisam levar em conta três fatores, denominados por "três Ps": paciência, planejamento e preparação. "Até o comprador tomar uma decisão, leva-se muito tempo, já que a palavra final é consensuada por todos os envolvidos no processo. Por isso, quem quer vender para o Japão deve fazer um planejamento de, no mínimo, três anos até conseguir fechar negócio. A demora na concretização da operação é o que mais pesa para o brasileiro. É importante ter bem claro isso. Afinal, uma mercadoria que é apresentada uma única vez lá não é considerada confiável. Agora, uma vez iniciada uma negociação, o empresário japonês nunca volta atrás, mesmo que ocorra algum problema durante o processo", conta.
O diretor comenta que, uma vez firmada a operação, é preciso cumprir à risca os prazos estipulados. Se houver falha, isso significa perda de confiança para as próximas negociações. Além disso, um produto lançado no mercado nipônico não pode nunca faltar, ou seja, a reposição tem de ser cotidiana e o mais rápido possível. "Enquanto aqui, em uma negociação, os brasileiros se cumprimentam com um aperto de mão, a primeira coisa em uma apresentação, no Japão, é mostrar o cartão de visitas. Se não tiver cartão, você é uma pessoa estranha", diz.
PIB ORIENTAL
O Japão tem um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 4,39 trilhões e população de 120 milhões de habitantes. De acordo com o diretor da Jetro, como o país importa praticamente todos os tipos de mercadorias, existe certa facilidade para exportar. Há uma forte escassez de produtos alimentícios - 60% do que é consumido vem de outras localidades. "O mundo todo espera que o Brasil cresça economicamente. Se uma empresa nacional conseguir fechar negócio com o Japão, terá para sempre a confiança do mercado nipônico. E se tiver sucesso lá, com certeza terá sucesso também em qualquer outro país, por se tratar de um povo muito detalhista", afirma.