O Brasil ainda precisa avançar muito no que se refere à propriedade intelectual. A conclusão faz parte de uma pesquisa que, pela primeira vez, estabeleceu um ranking comparativo, separado por "fileiras", com as 22 maiores economias do mundo, no que se refere à propriedade intelectual.
O Gipi (Global Intellectual Property Index), divulgado na última sexta-feira (2) pela empresa de advocacia Taylor Wessing, apresenta uma comparação estatística entre as nações quanto ao que o relatório proveniente do estudo chama de "competitividade de propriedade intelectual".
As notas e classificações atribuídas aos países têm como base três facetas da propriedade intelectual: marcas, patentes e direitos autorais. Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha são os países mais avançados quanto ao tema.
O peso da proteção a marcas e patentes
Segundo o estudo, nações que sabem gerenciar suas leis de proteção ao conhecimento são vistas como aquelas que apóiam o melhor gerenciamento da propriedade intelectual em uma escala global.
"Nós vivemos em um mercado globalizado e propriedade intelectual é um assunto importante. Para empresas que operam internacionalmente, meios de proteção a marcas e patentes dos países emergentes são tão essenciais quanto os dos desenvolvidos", comenta o diretor parceiro na Taylor Wessing LLP, Michael Frawley.
A situação do BRIC
Os países que compõem o grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) são os piores colocados do ranking, e "com uma margem significativa de diferença com relação aos demais países", conforme foi ressaltado no material oficial divulgado pela assessoria de imprensa da Taylor Wessing.
A China está na base da lista, com 300 pontos a menos do que os países listados na primeira fileira, embora muitos dos participantes da pesquisa tenham notado que os chineses implementaram melhorias significativas quando à propriedade intelectual.
No momento, a percepção que se tem da efetividade dos sistemas dos países do Bric é que, aparentemente, eles estão atrasando o avanço no que se refere à propriedade intelectual. A conclusão é que Brasil, Rússia e Índia ainda são vistas como nações pobres demais para gerenciar todas as facetas da propriedade intelectual.
Outros países
O país asiático mais avançado é Cingapura, na fileira 2. Japão - que obteve 50 pontos a menos que Cingapura - e Coréia ficaram na fileira 3. O tamanho do país parece influenciar pouco na efetividade das leis de propriedade intelectual.
A Alemanha está entre os três melhores nos três índices, ao passo que os Estados Unidos lideram no quesito direitos autorais, mas ocupam o sexto lugar quando o assunto é marcas. Já o Reino Unido ocupa a primeira colocação quanto a marcas e patentes e a segunda no item direitos autorais.
Há uma grande variedade de pontuação entre as nações européias, apesar do pretendido alinhamento nas leis dentro da União Européia. Enquanto Reino Unido e Alemanha estão na primeira fila, por exemplo, Polônia e Itália estão na quarta. Um detalhe importante é que sete dos nove países nas fileiras 1 e 2 do Gipi possuem sistemas jurídicos baseados em lei comum.