Brasil pode ser um grande exportador de tecnologia para o Japão? Sim.

Acredito que os empresários brasileiros de tecnologia têm competência e potencial para investir em exportações e não apenas no mercado nacional. Na maioria dos casos, nosso país ainda é um exportador de commodities, mesmo que aqui tenhamos empresas modernas e com soluções de ponta.

A balança comercial entre Brasil e Japão, por exemplo, apresenta uma pequena diferença de 300 milhões de dólares. Enquanto exportamos US$ 4,3 bilhões para os japoneses, importamos US$ 4,6 bilhões. A brutal diferença, entretanto, aparece quando analisamos o volume da carga trocada entre os dois países. Enquanto o Brasil exporta US$ 0,12 por tonelada para o Japão, cada tonelada importada custa para nós US$ 6,00. É como se trocássemos um navio de soja (ou qualquer outra commodity) por um contêiner de aparelhos eletro-eletrônicos japoneses.

A Ásia é um mercado que deve ser olhado com mais atenção pelos empresários brasileiros, em especial o Japão. Muito criteriosos e exigentes, as vendas para os empresários japoneses podem ser mais demoradas. Porém, uma vez clientes, tendem a ser fiéis e trabalhar a longo prazo.

Além do mercado japonês, reconhecido por sua importância e exigência, realizar negócios com aquele país abre portas em praticamente toda a Ásia - em países populosos, em processo de expansão e desenvolvimento acelerado, como Índia, China, Tailândia e os tigres asiáticos. Para eles, o fato de uma empresa vender para o Japão é garantia de confiabilidade.

É como conquistar um selo de qualidade na região e no mundo. Contribuem para isso, o rigor com que os executivos japoneses valorizam o bom atendimento e a competitividade do mercado mais que o baixo custo.

Para exportar produtos tecnológicos para o Japão, precisamos saber aproveitar os espaços ainda não preenchidos naquele mercado. Apesar de muito evoluídos no setor de hardware, há espaços importantes a serem conquistados, sobretudo em relação ao software. O mercado de Contact Center e CRM, por exemplo, tem um grande potencial no país e ainda é pouco explorado pelos japoneses. As soluções brasileiras para o relacionamento com o cliente têm alta especialização com um preço competitivo em relação aos concorrentes internacionais.

A própria cultura do país torna esta área importante: no Japão o cliente é literalmente rei. Para trocar um produto com defeito, por exemplo, basta apenas dirigir-se à loja onde ele foi comprado. Se foi o consumidor que não compreendeu o funcionamento do produto adquirido, a culpa é do fabricante e do vendedor, que não souberam explicar satisfatoriamente. O atendimento adequado às dúvidas e reclamações dos clientes – seja por telefone, chat, e-mail, entre outros meios – mostra-se, portanto, fundamental.

Como vantagens para negociar com o mercado japonês temos, além da comunidade mais representativa no país, com cerca de 300 mil brasileiros que vivem lá, o enorme número de descendentes de japoneses aqui no Brasil – que conhecem a língua, as tradições e que comemoram agora cem anos de imigração. Conhecer alguns hábitos culturais deste país, inclusive, é essencial para nos relacionarmos com eles.

Organização, pontualidade, hierarquia, código de conduta e formalidade são muito importantes para os executivos japoneses e devem ser seguidas até como demonstração de respeito.




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