A semana volta a abrir sob tensão nos mercados internacionais, com baixas expressivas nas bolsas asiáticas e européias e movimentos intensos nas taxas de câmbio. A continuidade do desmonte de posições de carry trade segue gerando a apreciação do iene e do dólar ante as demais moedas, reflexo da maior ação defensiva dos investidores, cujos recursos têm migrado pesadamente na direção dos Treasuries norte-americanos (“flight to quality”).
Diferentemente do sinalizado no início da última semana, os mercados não confirmaram os sinais de estabilização. Pelo contrário, a volatilidade se intensificou, com a ampliação dos temores em torno da economia real e notícias cada vez mais negativas referentes a corporações e até mesmo países em dificuldades sérias. Países como Islândia, Hungria e Ucrânia já buscaram apoio do FMI, enquanto a Rússia teve seu rating colocado em observação negativa – a bolsa de Moscou fechou na última sexta, e só irá reabrir nesta terça. Ou seja, não há trégua nas notícias ruins em todo o mundo.
No Brasil, fica cada vez mais evidenciado que os efeitos da crise irão atingir o país gradativamente. Os primeiros impactos sobre o crédito já foram antecipados pelo próprio Banco Central, o que foi interpretado como um sinal de que o ciclo de alta da Selic poderá ser interrompido nesta semana. Pesa contra a alta do dólar, que persiste mesmo com todas as intervenções promovidas pelo BC. Entretanto, mesmo diante de um cenário ainda perigoso para a inflação, acreditamos que o mais viável neste momento será a manutenção dos juros no nível atual (13,75% ao ano), e aguardar o período necessário para que os reais impactos desta crise sobre a economia se tornem mais claros. Por hora, diante de um cenário completamente nebuloso, qualquer decisão de alterar os juros poderia trazer maiores problemas mais à frente.
A agenda da semana é bem carregada de dados econômicos e eventos que irão chamar a atenção dos investidores pelo mundo. Nos Estados Unidos os grandes destaques ficam por conta do anúncio do PIB do 3º trimestre (deve mostrar contração) e a reunião do FOMC, cuja expectativa é de corte de 50 pontos-base nos juros, para 1% ao ano. Ainda nos EUA, o secretário do Tesouro H. Paulson e o presidente do Fed Ben Bernanke fazem pronunciamentos. Balanços de importantes corporações também serão divulgados em várias regiões. Por aqui, o foco estará no Copom, conforme já mencionado.
Nos mercados, não há condições para prognósticos neste momento. As incertezas são enormes, e toda a insegurança é ilustrada pelos movimentos vigorosos das taxas de câmbio, das bolsas e de índices como o VIX. Mesmo considerando as profundas dificuldades em se avaliar o quanto a economia real irá sofrer com a crise financeira, as oscilações nos preços dos ativos foram claramente exageradas. Porém, não é possível cravar por enquanto alguma reação no curto prazo, cabendo aos investidores e analistas seguirem acompanhando atentamente o noticiário, dado que as mudanças de humor dos mercados têm ocorrido de maneira intermitente ao longo dos pregões.