Brasil tem o melhor mercado siderúrgico do mundo; basta o investidor perceber
28 de agosto de 2008 às 13:09
Desde o início da recente derrocada do mercado doméstico, os papéis das siderúrgicas não ocupam mais a liderança do Índice Bovespa em performance acumulada. Agora figuram entre os ativos mais penalizados nos últimos meses.
Olhar para a atual situação do mercado brasileiro de aço, no entanto, não condiz com tal enfraquecimento. A demanda doméstica surpreende a cada relatório do setor divulgado, sendo que as exportações vêm perdendo espaço para o abastecimento dos consumidores internos.
Com a relação estreita entre oferta e demanda e o mercado doméstico blindando as companhias de potenciais turbulências na demanda internacional, a perspectiva segue de preços elevados para o aço.
Mas ações de Gerdau (GGBR4), Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3), que chegaram a acumular valorizações superiores a 60% no ano antes do recente solavanco do mercado, agora parecem bem sobrevalorizadas frente ao cenário do setor.
Melhor mercado do mundo
A solidez do mercado doméstico parece continuar a mesma. Para os analistas do Citigroup, o mercado brasileiro de aço atualmente mostra os melhores fundamentos do mundo.
A demanda é crescente e a estrutura de participantes mostra um oligopólio bem definido. Não há interferência governamental, os custos produtivos são relativamente baixos e, para fechar, não há competição significativa com produtos importados.
Assim fica difícil apostar em uma redução no preço interno do aço em 2009. Para o Citi, o valor do produto tende a avançar cerca de 10% no próximo ano. Olhar para a avaliação do UBS torna consensual esta perspectiva: o banco suíço destaca que o custo marginal de produção segue alto, o que tende a favorecer preços altos ao aço.
Contaminadas pelo pessimismo externo
Mas ao passo que o foco dos produtores parece o mercado interno, os investidores aparentam olhar mais para os problemas externos na hora de avaliar os ativos. Os preços do aço vêm sofrendo breve redução na China, por exemplo, e acabam pesando mais sobre o desempenho das ações que as características do mercado doméstico.
Alheios à melhoria interna, os investidores parecem contagiados pelo pessimismo externo, fator que cria uma discrepância entre o valor das ações e os fundamentos do mercado doméstico.
"Os preços atuais das ações equivalem a uma cotação do aço 35% menor do que o nível atual, o que consideramos improvável devido à escassez de nova capacidade do aço e disponibilidade limitada de matéria-prima", ressalta estudo do UBS, que relacionou a sensibilidade do preço-alvo das ações a diferentes projeções para o preço do aço. Mesmo na pior das hipóteses consideradas, as ações ainda oferecem potencial de valorização.
Atualmente com o "melhor mercado de aço do mundo", uma análise de múltiplos das três grandes siderúrgicas brasileiras também as coloca entre os melhores fundamentos globais, pouco abaixo da ArcelorMittal nas projeções do Citi para 2008. As perspectivas favorecem, e parece que ainda não foram precificadas.
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