De um lado, consumidores se mostram cada vez menos otimistas quanto a suas contas. Do outro, empresários acreditam que vendas e produção crescerão cada vez mais. Diante desse cenário contraditório, o Instituto para Estudos e Desenvolvimento Industrial (Iedi) apontou que, caso algo não seja feito, o consumo vai diminuir e, conseqüentemente, frustrar as expectativas empresariais.
Na última quinta-feira (17), a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) divulgou pesquisa mostrando que, em maio, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 1% em relação ao mês passado e 8,4% na comparação com o mesmo mês de 2006.
Spread
"Ainda não está inteiramente explicado porque a trajetória da confiança do consumidor brasileiro encontra-se em queda nessa primeira metade de 2007", explicou o Iedi, por meio de nota. O instituto apontou que outros indicadores mostram uma melhora na economia , com maior crescimento, ampliação dos rendimentos reais e ocupação mais elevada.
Na avaliação do Iedi, diante dessa contradição financeira, o que pode ser feito para melhorar a expectativa do consumidor é a redução dos juros de crédito, "como forma de que as famílias possam administrar com maior desembaraço o seu nível de endividamento".
E uma forma de reduzir essas cobranças é a queda do spread(diferença entre a taxa que o banco cobra ao emprestar os recursos ao cliente e a taxa que ele paga ao adquirir o dinheiro), que entrou em pauta nesta semana na audiência pública realizada na Comissão de Defesa, da Câmara Federal.
Juro
"Menores spreads levando a menores juros será mecanismo de reerguimento da confiança do consumidor e fator de preservação da capacidade de pagamento de dívidas contraídas", informou o instituto por meio de nota.
Vale lembrar que, ao fazer uma projeção com a última pesquisa da Fundação Procon de São Paulo, é possível afirmar que, para ter um empréstimo pessoal, o cliente paga 87,33% anuais de juros. Quando o assunto é cheque especial, o juro anualizado está em 160%.