Brasileiros também sabem terceirizar

Recentemente, a West Coast anunciou a decisão de transferir parte de sua produção para a Argentina, a Guatemala e a Índia – três países em que a conjuntura se mostra mais favorável à indústria calçadista. Ao todo, a empresa gaúcha vai “exportar” uma linha de produção capaz de gerar 25 mil pares de calçados por mês. A notícia é preocupante para a economia local – mas sinaliza uma tendência irreversível para alguns segmentos da indústria brasileira: a de terceirizar a produção. “Eles buscarão novas fontes de insumos, mão-de-obra mais competitiva, custos burocráticos mais baixos e facilidades de logísticas em mercados com custos menores que os brasileiros”, explica Néri Becchi Dal Pra, presidente do Instituto de Comércio Exterior do Paraná.

Nos tempos em que o dólar valia mais em relação ao real, eram poucas as empresas brasileiras que apostavam forte na terceirização. O grande fluxo de terceirização era provocado por companhias norte-americanas e européias, que viam a possibilidade de reduzir despesas e maximizar lucros em alguns países da Ásia e América Latina – o Brasil entre eles. Com a virada do câmbio, porém, o Brasil deixou de apenas receber investimentos estrangeiros – e passou a realizá-los também. Companhias como Gerdau, Marcopolo e Weg ampliaram suas estratégias de internacionalização. E aquelas que vinham tendo dificuldade para atuar somente no Brasil aproveitaram para colocar novos pátios de produção em outras fronteiras. “Trata-se de uma questão estratégica para manter as posições e buscar novas fronteiras”, observa Dal Pra.

O movimento de terceirização tem um custo para a economia local, é claro. Um deles é o desemprego. Os executivos da West Coast, por exemplo, prometem manter os 350 empregos na planta da empresa, em Ivoti, no interior do Rio Grande do Sul. Mas deverão cortar as vagas de trabalho de fornecedores. “Isso é um risco, de fato. Mas é preciso equilibrar”, alerta Dal Pra. A cessão de conhecimentos estratégicos é outro risco que as empresas correm ao se aventurar em terrenos estrangeiros. “Quando se desloca a produção para outra planta, há risco de que informações importantes relacionadas à tecnologia e design comecem a ser utilizadas pela empresa terceirizada para concorrer com a contratante do serviço”, pondera Ivan Garrido, coordenador do curso de Comércio Exterior da Unisinos. (Fernanda Arechavaleta)




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A economia mundial irá se recuperar em 2009?

Completamente.
Moderadamente.
A economia não irá se recuperar em 2009.





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