Bulbos incandescentes têm a maior evolução em 130 anos e tornam-se oito vezes mais eficientes

Criada há 130 anos por Thomas Edison, a lâmpada incandescente atravessou todo esse tempo sem experimentar nenhuma evolução tecnológica significativa. Em parte, porque as velhas luminárias ainda apresentam muitas e insuperáveis vantagens: produzem uma luz quente, mais natural aos olhos humanos, são mais baratas e podem ser operadas por um dimmer, aparelho que limita o seu brilho, permitindo controle total sobre a luminosidade do ambiente.

Seu único e grande defeito é o elevado consumo de energia elétrica – um pecado mortal numa época em que a produção de energia tem um elevado custo econômico e ambiental. Assim, cada vez com cada mais velocidade, as velhas lâmpadas vêm sendo substituídas por fluorescentes e diodos emissores de luz (LEDs), que embora mais caros, são mais econômicos e duram anos. O cerco aos bulbos incandescentes chegou ao ponto de a Austrália anunciar que pretende proibi-los nos próximos anos.

Mas uma inovação obtida por dois engenheiros do Instituto Politécnico Rensselaer (EUA) pode dar nova vida às centenárias luminárias. O problema da lâmpada incandescente é que quase toda a energia que ela consome (cerca de 88%) não vira luz visível, mas radiação infravermelha, desperdiçada na forma de calor. A solução encontrada por Shawn-Yu Lin e Yong-Sung Kim foi “reciclar” essa radiação infravermelha e reaproveitá-la.

Processos de reciclagem da luz infravermelha já foram desenvolvidos antes, mas não eram eficientes. Lin e Kim resolveram o problema utilizando um filtro “fotônico”. Trata-se de um material metálico que envolve o filamento da lâmpada, o fio metálico no interior do bulbo que, ao esquentar, emite luz. Totalmente transparente à luz visível, o filtro, no entanto, reflete da luz infravermelha de volta para o interior da lâmpada.

O filtro ajuda de duas formas. Primeiro, reduz a quantidade de energia elétrica necessária para manter o filamento quente, o que aumenta a eficiência da conversão de eletricidade em luz. Segundo, diminui a radiação térmica da lâmpada – ela praticamente não esquenta – à medida que os fótons infravermelhos (calor) não escapam. A soma dos dois efeitos aumenta a efi­ciência da lâmpada incandescente em oito vezes.

Mas essa não foi a única melhoria tecnológica recente do antigo bulbo criado por Thomas Edison. Utilizando novos materiais na fabricação do filamento, a lâmpada HEI (de High Efficiency Incandescent, ou incandescente de alta eficiência), da GE, produz cerca de 30 lúmens por watt – duas vezes mais do que as incandescentes atuais – e promete ser quatro vezes mais eficiente. Deve estar no mercado até 2010.


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