Caça aos fornecedores
06 de agosto de 2008 às 16:00
De seu gabinete na consultoria Capital Partners, o sócio-diretor Paulo Esteves prevê tempos ainda mais movimentados para o mercado de capitais – com investidores cada vez mais exigentes. “No ano passado, quando havia um excesso de liquidez e um mercado altamente comprador, as companhias que fizeram IPOs conseguiram cumprir as exigências mínimas”, analisa. Mas as perspectivas, hoje, são bem diferentes. “A partir de agora, com a forte realização de lucros, vamos viver uma fase de depuração no mercado – e as companhias que entraram na Bovespa sem uma cultura de capital aberto vão sofrer mais”, antecipa. Geraldo Soares, do IBRI, faz um alerta semelhante. “Muitas empresas, mesmo as que têm cultura de companhia aberta, ainda padronizam demais sua comunicação, resultado da compra de pacotes prontos das consultorias externas. E, como estamos disputando os mesmos recursos no mercado, é preciso se diferenciar, criar valor”, avisa Soares.
Diante desse cenário, começa a se desenhar um período de caça a fornecedores de serviços especializados. A tendência é de maior procura pelos consultores que oferecem inteligência agregada aos serviços em itens como guidance – termo que define a divulgação da expectativa futura de uma companhia – e mecanismos de governança, por exemplo. Entre os aspectos que devem merecer maior cuidado e atenção dos fornecedores, Esteves destaca a importância de relatórios anuais sob medida para cada companhia. “O relatório é uma forma de integração da empresa ao mercado. Não pode transmitir uma filosofia pasteurizada, porque quem conhece o negócio irá perceber que aquilo é falso”, alerta.
Para as consultorias, o dever de casa passa pela oferta de serviços especializados em todas as etapas, desde a preparação das companhias para o processo de abertura de capital até o acompanhamento no período pós-IPO. “O processo de ida ao mercado precisa ser preparado de maneira consistente, com visão de longo prazo. E o trabalho de relação com os investidores não deve ser um esforço isolado da área financeira, mas estar cada vez mais integrado dentro da companhia”, avalia Arleu Anhalt, da Firb.
A expansão dos negócios de fusões e aquisições – ou merger and acquisition, na linguagem do meio – é outro campo promissor para as consultorias e escritórios especializados. “Desde o final de 2006, fizemos aproximadamente 30 operações de compra e venda de empresas”, informa Grisi. No final de 2007, o escritório havia registrado expansão de 35% no faturamento em relação a 2006 e projeta crescer entre 20% a 30% neste ano. Os IPOs são um fator de estímulo às fusões e aquisições, acredita Grisi. “Como efeito da abertura de capital, as companhias promovem logo um processo de compra ou de participação relevante em empresas menores. No prospecto de emissão de ações, a companhia já define que parte do capital será destinado a adquirir novos mercados e ganhar escala”, afirma.
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