Cafeterias brasileiras crescem de São Paulo a Tóquio

O crescimento do consumo interno de café se reflete não apenas no surgimento de novas redes de cafeterias, mas também na tentativa de criação de uma marca internacional para o café brasileiro no exterior. Com uma estratégia a conta-gotas, é o que tenta fazer a Café do Centro, empresa que existe desde 1916 e que está buscando lucrar em outro mercado emergente para o café: o asiático.

A empresa, que no Brasil não tem lojas, mas fornece café e treinamento para cerca de 3 mil pontos de venda espalhados pelo país, abriu suas primeiras unidades Café do Centro no Japão. Agora, de acordo com o diretor Rafael Branco Peres, 33 anos, o negócio vai se expandir para outros dois países ao longo dos próximos dois meses: Taiwan e Filipinas.

O empresário explica que a família Branco Peres comprou a Café do Centro em 1995, época de forte crise no setor de café, quando a superoferta do produto causou uma forte baixa na cotação internacional. A família não produz café – apenas certifica fazendas aptas a fornecer dentro de seus padrões de qualidade.

Uma máquina parecida com a usada pela indústria farmacêutica para separar as pílulas boas das ruins, conta Rafael, divide os grãos de qualidade dos com defeito. “Nós tivemos a máquina desenvolvida para café. Se na minha xícara tiver um grão úmido, vai arruinar toda a bebida. A padronização consegue anular os efeitos de um café de fazenda, me dá garantia de bebida exatamente igual o ano inteiro”, explica.

Tema

Enquanto a Café do Centro olha para fora, a temática Pelé Arena Café & Futebol, que surgiu a partir de um projeto de explorar a marca do jogador de futebol, concentra-se no estado de São Paulo com um projeto de franquias iniciado no fim do ano passado. A empresa tem hoje duas lojas em operação, mas o objetivo é elevar esse número para seis até o fim do ano, incluindo uma na cidade de Ribeirão Preto.

Cobrando uma taxa de franquia de R$ 45 mil, a Pelé Arena Café projeta um faturamento médio mensal de R$ 80 mil aos investidores. Apesar de o projeto ter origem na cabeça de marqueteiros, o diretor de franquias da empresa, Alfredo Monteiro, diz que a qualidade dos produtos da cafeteria também foi levada em consideração. Uma fazenda de Minas Gerais produz o café especialmente para a marca.

E, como está ligada a um esporte popular, Monteiro diz que os preços do cafezinho praticados pela Pelé Arena Café & Futebol não está muito acima do cobrado por cafeterias comuns. Uma xícara de expresso na casa de café temática custa hoje a partir de R$ 2,50, na loja do centro de São Paulo.

Aumento da renda

Segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Nathan Herszkowicz, o consumo de café fora do lar se confunde com o aumento da renda – segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgada no início do mês, as classes médias e alta representam 67,41% da população brasileira em 2008, contra 53,87% de quatro anos atrás.

Com o aumento do poder aquisitivo da população, surgiu também um mercado maior para o café expresso, e agora o mercado começa a oferecer ao consumidor os cafés especiais. Segundo Herszkowicz, o coador deve perder espaço para as máquinas de café também dentro do lar – isso porque, em sua visão, o apreciador da bebida vai tentar reproduzir a sensação das cafeterias em casa.

Também cresce o número de cursos para baristas e apreciadores de café. Os cursos do Centro de Preparação de Café (CPC), do Sindicado da Indústria de Cafés (Sindicafé), forma cerca de 350 alunos por ano. Dos participantes, segundo o diretor da Abic, 30% são interessados em abrir novas cafeterias. O restante é composto por pessoas que apenas querem aprender a preparar um bom café.


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