Capacitação é a chave para o promissor mercado do petróleo

O que uma micro ou pequena empresa deve fazer para se tornar fornecedora da cadeia produtiva de petróleo e gás? A pergunta interessa a milhares de empresários que querem se beneficiar de um excelente cenário, que ficou ainda mais promissor com a descoberta dos campos de pré-sal no País. Traduzindo em números, isso significa investimentos da ordem de US$ 128 bilhões até 2012.

Tecnologias sofisticadas e conhecimento altamente especializado são facilmente associados ao segmento de petróleo e gás. Como essa cadeia produtiva alcança praticamente todos os segmentos da economia, isso significa uma oportunidade de negócio ímpar, sobretudo para as micro e pequenas empresas.

Mas para alcançar o ''status'' de fornecedor, não basta ter o produto adequado. Para cumprir as diferentes exigências deste segmento que seguem rígidas normas que vão da qualidade à responsabilidade social e ambiental, os interessados devem preencher uma série de requisitos.

O Convênio Petrobras/Sebrae, como parte do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Promimp), foi celebrado em outubro de 2004 e renovado este ano para facilitar a inserção das micro e pequenas empresas nessa cadeia.

Um dos resultados práticos do convênio foi a criação das chamadas Redes Petro, em que as empresas encontram um ambiente institucional favorável para aumentar sua competitividade e sustentabilidade.

Com a aprovação do cadastro dentro da Rede, a empresa deve cumprir uma série de etapas para ser considerada uma fornecedora do segmento. Um dos instrumentos mais eficientes para acelerar esse processo é a ''Ação de Capacitação de Fornecedores'', quando o nível de competitividade é avaliado.

Na metodologia desenvolvida pelo Sebrae, conhecida genericamente como Prêmio de Competitividade da MPE (cada estado adota uma demoninação específica para o prêmio), tem o foco na avaliação do nível gerencial das micro e pequenas empresas de acordo com os critérios de excelência estabelecidos pela Fundação para o Prêmio Nacional da Qualidade (FPNQ), contando com perguntas específicas a respeito de Saúde, Meio Ambiente e Segurança do Trabalho.

As empresas são submetidas a uma análise de competitividade. Esse processo organizado em módulos específicos trata de aspectos que vão dos procedimentos administrativos, formação de preços, posicionamento no mercado até a legislação do setor de petróleo. Para a empresa receber o Certificado Nacional de Capacitação de Fornecedores do Setor de Petróleo, Gás e Energia, ela precisa alcançar 75% do total de pontos válidos do prêmio.

A proposta é oferecer condições ideais para que as empresas possam atuar com eficiência em todas as frentes e estejam aptas a serem aceitas no cadastro das empresas fornecedoras de petróleo e gás. O cadastro da Petrobras é o principal, porque uma vez aceita como fornecedora, a micro e pequena empresa estará apta para se cadastrar em qualquer empresa da cadeia produtiva do petróleo, gás e energia ou de qualquer outra cadeia.

Para o gerente da Área de Desenvolvimento Industrial e Setores de Base Tecnológica do Sebrae no Rio de Janeiro, Renato Dias Regazzi, o grande resultado é que o projeto foi sendo sistematizado ao longo do tempo com as melhores práticas como sistema de gestão e análise de produtos e serviços.

"Esta é uma grande oportunidade para que as empresas se capacitem porque a cadeia de petróleo e gás é altamente promissora, mas também extremamente exigente, e isso induz à melhoria das empresas. Quando elas se tornam fornecedoras, têm um valor agregado e com isso podem competir com uma margem de maior segurança e lucros mais significativos", afirma Regazzi.

Para o gerente do Sebrae no Rio de Janeiro, as particularidades deste segmento também chamam atenção para o valor da inovação. "A empresa pode até ignorar esse conceito, mas o sucesso de hoje não garante a sobrevivência do negócio, porque ela vai ficar limitada a um mercado onde a concorrência incomoda cada vez mais", alerta.

Entre 2004 e junho de 2008, o Convênio Petrobras/Sebrae qualificou mais de 2,2 mil empresas como fornecedoras da cadeia produtiva de petróelo e gás, sendo que 6,3 mil participaram de seminários, capacitações e consultorias.

As empresas atendidas nesse período são de 11 estados brasileiros: AL, AM, BA, CE, ES, MG, PR, RJ, RS, RN e SE). Para a execução das diversas ações, entre elas capacitação de fornecedores, foram aportados R$ 12 milhões.

Na segunda edição do convênio, assinada em 20 de junho passado, mais três estados (PE, SC e SP) foram contemplados. O número de empresas beneficiadas será ampliado. As ações dessa nova etapa seguem até 2011 e contarão com investimento de R$ 32 milhões.

Empresas apoiadas pelas duas instituições participam da Rio Oil & Gas 2008. O evento começou na segunda-feira (15) e segue até a quinta-feira (18), no Riocentro, no Rio de Janeiro. Os estandes dessas empresas estarão identificados como Redes Petro nos pavilhões 2 e 3.


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