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A "bolha dos MBAs" está prestes a estourar?

Há profissionais demais com esse tipo de diploma no mercado? As empresas deixarão de contratá-los? Veja as opiniões de reitores e coordenadores de instituições voltadas para negócios

Redação, Administradores.com,
Shutterstock.com
O australiano Zeger Degraeve acredita que a bolha dos MBAs de qualidade inferior vai estourar, mas não para os cursos consolidados

Diante da última crise econômica mundial e da consequente recuperação, que continua em curso, discussões quanto ao valor de diplomas de MBA no currículo de empreendedores e líderes são recorrentes. Recentemente, o site da revista norte-americana The Atlantic publicou uma matéria intitulada “Uma bolha de MBAs está estourando?”, trazendo pesquisas com relação à intenção de contratação de pessoas com MBA, bem como aspectos salariais e outros.

O autor do artigo, Jordan Weissmann, destaca pontos negativos para os que estão fazendo esse tipo de pós-graduação. Da primeira pesquisa, publicada na Businessweek, Weissmann aponta para os 44% dos empregadores participantes que afirmaram que não pagariam mais por funcionários recém saídos de um MBA, e até mesmo diminuiriam seus salários. Sobre outro estudo, ele destaca que a porcentagem de recrutamento de pessoas com MBA para este ano teria sido projetada para cair em 25%, enquanto aumentaria a porcentagem de contratações para bacharéis e doutores.

No site Poets & Quants, John Byrne utiliza as mesmas pesquisas para defender uma visão contrária a Weissmann. Ele destaca que mais da metade dos empregadores entrevistados pela Businessweek, mais precisamente, 56%, pretendem aumentar o salário base para funcionários com MBA (contra os 44% apontados pelo autor do texto do The Atlantic, que afirmaram que manteriam estável o valor deste salário). Segundo Byrne, de acordo com a pesquisa, apenas 2% dos entrevistados afirmaram que diminuirão as ofertas de salário para pessoas com MBA.

Para obter algum tipo de resposta diante das opiniões conflitantes, o site MBA Channel buscou depoimentos de reitores e coordenadores de cursos de MBA espalhados pelo mundo, com o objetivo de verificar as tendências globais quanto ao questionamento de que há estudantes de MBA sobrando no mercado. Aqui estão alguns deles:

EUA: Robert F. Bruner, reitor da Darden School of Business, da Universidade da Virgínia

“Nos últimos anos, a demanda por recém-formados da Darden tem sido muito forte. Nós conseguimos posicionar mais de 90% dos recém-graduados em MBA no mercado de trabalho. Novos recrutadores têm feito parcerias conosco, e tivemos aumentos consideráveis no número de aplicantes para os cursos de MBA. Ao mesmo tempo, porém, a quantidade de pessoas fazendo o GMAT, este padrão para ingresso em pós-graduações em gestão e MBAs em geral nos EUA, tem decaído na última década.

Mas, dada à recuperação da economia global, e particularmente o crescimento de economias emergentes, parece seguro dizer que a demanda por educação em gestão continuará crescendo. Como as universidades e faculdades preencherão esta demanda é o curinga dos MBAs”.

China: Hellmut Schutte, reitor da CEIBS

“Apesar de toda a discussão sobre globalização, o mercado para MBAs continua local. A demanda por profissionais com esse diploma amadureceu nos EUA e na Europa, mas na Ásia é diferente, principalmente na China. Este país possui apenas um quarto do número de faculdades de administração e negócios existentes nos Estados Unidos, com uma população quatro vezes maior. Por isso, o mercado chinês, que continua crescendo, precisa de mais e melhores líderes e gestores e permanecerá com uma grande demanda por eles durante muito tempo.”

Austrália: Zeger Degraeve, reitor da Melbourne Business School

“É claro que existem mais programas de MBA do que é necessário no mercado, mas é claro também que existe uma diferença crucial entre programas de qualidade e os outros. Um programa de MBA reconhecido e bem visto ainda tem valor no mercado. Conforme os negócios se tornam mais complexos, organizações investem em profissionais que trazem múltiplas perspectivas, resolvem problemas complicados e possuem uma mente com foco no global, pois sabem que pessoas talentosas farão a diferença em suas empresas. Então sim, a bolha dos MBAs “meia-boca”, criados para levar vantagem em cima do crescimento desse tipo de curso, irá estourar, mas é certo que empregadores ainda recrutarão profissionais de faculdades
prestigiadas e conhecidas pela qualidade de seus programas.”

América do Sul/Brasil: Armando Dal Coletto, reitor da Business School São Paulo (BSP)

“A contratação de talentos preparados para desafios de gerência é um recurso importante em empresas. Não deveria ser comparado a um “fenômeno de bolha”. Para afirmar que há uma crise, de fato, não se pode olhar apenas as projeções dos recrutadores, mas também as dos economistas.

Claro que, como em tudo no mercado, a lei da oferta e da procura é válida; em tempos de crise a procura diminui e o impacto é sentido de diversas maneiras. No caso brasileiro a realidade tem particularidades como o fato de que o comum aqui é que o estudante de MBA faça o curso enquanto trabalha, o que significa que ele não vai procurar um emprego ao final de seu MBA, mas geralmente já está inserido no mercado.

Esta experiência é ainda mais enriquecedora, pois o profissional vê a prática daquilo que estuda em sala de aula e já pode aplicar seus conhecimentos no cotidiano do seu emprego. Portanto, recrutadores levam em conta não só os diplomas, mas também a experiência profissional e realizações pessoais; diplomas são importantes mas não bastam para ser bem-sucedido na carreira!”

Europa/ Espanha: Santiago Iñiguez de Onzoño, reitor da IE Business School

"Honestamente, eu não acredito que os programas de MBA estão amadurecendo, mas simplesmente que há instituições consolidadas no mercado e a competição está aumentando. Há várias razões que dão apoio a esta visão: primeiro, se olharmos os diversos tipos de MBA, com formatos tradicionais ou online, veremos que o mercado cresceu e as perspectivas são positivas. Ainda há muito espaço para as mulheres, por exemplo, que ainda preenchem poucas vagas em programas do tipo.

A internacionalização do corpo de estudantes em várias escolas ainda apresenta grandes oportunidades. Em último lugar, algumas estatísticas usadas para afirmar o estouro de uma “bolha dos MBAs” são enganosas. Por exemplo, apesar de menos pessoas usarem o teste GMAT para ingressar em MBAs, elas o estão fazendo de outras maneiras, pois as instituições têm adotado formas personalizadas de ingresso."

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