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Como gerir o comportamento profissional dentro da empresa

Diferenças de temperamento e comportamento entre os colaboradores podem tanto enriquecer como prejudicar a empresa; a boa notícia é que isso pode ser trabalhado

Eber Freitas, Administradores.com,

Toda empresa tem colaboradores com comportamentos distintos: o expansivo e brincalhão, que costuma ganhar a simpatia de todos; o mais acomodado, sempre levando as piores broncas; o líder natural, focado em resultados e objetivos; o calado e introspectivo, às vezes surpreendente na execução de determinadas tarefas. Enfim, inúmeros tipos de personalidades que, quando combinadas, podem fazer maravilhas pelos resultados e faturamentos de um empreendimento ou arruiná-lo.

Na opinião do escritor, economista e terapeuta comportamental, Jamil Albuquerque, a maneira como a 'combinação' de temperamentos dos funcionários influi nos resultados da empresa e no clima organizacional é, pelo menos em parte, do chefe. "Cada gestor tem que saber como estimular as virtudes e minimizar os vícios comportamentais dos seus colaboradores. Quem está comandando precisa desenvolver a arte de lidar com pessoas difíceis; as melhores atitudes são acolher, corrigir e apoiar", afirma. Os profissionais, por outro lado, devem atentar para a moderação dentro do ambiente de trabalho, sob pena de prejudicar a própria carreira.

Jamil explica que os excessos decorrentes dos vícios podem resultar em atitudes consideradas 'gravíssimas'. "A falta do senso de equipe, preconceitos, não saber se comunicar, não se enquadrar nas normas da empresa, pessimismo, o excesso de reclamações; tudo isso traz implicações negativas, tanto para a empresa quanto para o profissional", diz.

comportamento

Ilustração: Felipe Spencer

Virtudes

Para superar as falhas comportamentais, as virtudes podem e devem ser trabalhadas tanto pelos gestores quanto pelos próprios profissionais. Jamil acredita que entre as qualidades e habilidades procuradas no temperamento profissional estão a visão, inspiração, assertividade, planejamento, comunicatividade e percepção de sustentabilidade, atributos que não são exclusivos de apenas um tipo de comportamento e podem ser abordados de diferentes maneiras por diferentes pessoas.

Como as pessoas podem lidar com isso? Como minimizar as falhas e maximizar as boas características do temperamento? A resposta para essa pergunta, conforme Jamil, foi dada 400 a.C. pelo filósofo Sócrates. "Conhecer a si mesmo é a chave para moldar o comportamento; existem traços imutáveis no comportamento, mas também há traços mutáveis, que podem ser construídos ao longo da vida", indica.

Nove tipos

Para Jamil, existem nove tipos de comportamentos ou modelos de temperamentos profissionais. Cada qual conta com suas virtudes e vícios, de modo que não há um comportamento melhor ou pior. Confira:

1. Perfeccionista (ou geométrico) – Costumam atuar nas áreas financeiras ou contábeis das empresas. Geralmente são metódicos, porém intransigentes e maniqueístas, tendendo a não se preocupar com os resultados da empresa no geral, apenas com os próprios resultados;

2. Prestativo – Carismáticos e voluntariosos, geralmente ocupam cargos que envolvam contato com pessoas, como vendas e RH. Por se preocuparem demais com os outros, podem esquecer de si mesmos e desenvolverem um orgulho em demasia, por se acharem bem intencionados e solícitos;

3. Bem-sucedido (ou focado em resultados) – São considerados exemplos de dedicação, eficiência e realização profissional, mas o excesso de vaidade pode torná-los frios e manipuladores. São facilmente reconhecidos em atividades como advocacia, administração e consultoria;

4. Emocional (ou romântico) – Pessoas com essa linha de comportamento tendem a ser sensíveis, criativos e autênticos, mas podem se tornar críticas, invejosas ou mesmo irônicas por causa do idealismo exarcebado. Têm mais afinidade com áreas que exigem senso artístico e compreensão, como decoração, psicologia ou jornalismo;

5. Observador (ou introspectivo) – São equilibrados, racionais e analíticos, não gostam de estar dentro dos acontecimentos, preferindo ficar 'de fora', observando e analisando. Engenharia, Tecnologia da Informação e áreas relacionadas à pesquisa são as preferidas;

6. Questionador – As suas melhores características são a lealdade e o comprometimento; costumam ser precavidos e cautelosos, mas podem se tornar legalistas, ansiosos e desconfiados, avessos a mudanças. São hábeis na percepção de riscos, qualidade que os torna comuns em cargos de gerência;

7. Sonhador – Geralmente são criativos, otimistas e bons de improvisação, o que representa uma grande vantagem em tempos de crise; mas costumam ser livres de regras e horários, não se dão bem com o 'relógio de ponto'. Gostam de variar e detestam atividades mecânicas e repetitivas. São mais ligados às áreas que exigem mais ideias do que compromisso, como marketing e publicidade;

8. Confrontador – O tipo mais ligado à liderança. Pessoas com essa linha de comportamento são realizadoras e objetivas; mas quando o ego é insuflado por conta dos resultados, tendem a se tornar verdadeiros déspotas dentro da empresa, autoritários e intimidadores;

9. Preservacionista (ou indolente) – Ou às vezes chamado injustamente de 'preguiçoso'. É o tipo mais adaptável, pode exercer funções variadas dentro da empresa e aprender outras atividades sem protestar. Seu temperamento calmo e sereno o transforma num ótimo mediador, muitas vezes cedendo aos interesses dos outros e abdicando dos seus. Podem ser apáticos e proteladores, preferindo se afastar de desafios que pressuponham atritos e assumir a postura de 'o que decidirem para mim está bom'.*

*As informações enumeradas acima representam apenas um panorama para ajudar na compreensão do assunto e são insuficientes para uma auto-avaliação. Informações adicionais: Instituto Eneagrama (www.eneagrama.com.br)

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Tags: comportamento temperamento