As empresas de contact center estão de olho numa nova tendência de mercado: a contratação de profissionais acima dos 50 anos. “Vemos com uma lente diferente os profissionais acima dessa idade, que têm alcançado resultados positivos devido a seu nível de responsabilidade, credibilidade, bom atendimento e boa abordagem. Esse fato vem criando um novo nicho de mercado”, diz Carlos Alberto Tavares de Campos, Gerente de Recursos Humanos da Casa do Profissional, empresa especializada em recrutamento, seleção e treinamento na área de Relacionamento.
A idade foi o fator decisivo para a Telesoluções – Telemarketing e Call Business admitir 108 pessoas com este perfil em seu quadro profissional. “A senioridade é o novo perfil que buscamos pelo fato desse público ter características fundamentais ao serviço que prestamos: tranqüilidade, equilíbrio e responsabilidade”, revela Waldelea Nogueira, diretora de Recursos Humanos da empresa.
Para se ter idéia do potencial do setor, em média, 5% das 2.300 vagas oferecidas mensalmente pela Casa do Profissional tem sido preenchidas por pessoas com mais de 45 anos, que são direcionadas ao trabalho com produtos e públicos compatíveis com o seu perfil pessoal e profissional. “A maioria trabalha como operador de telemarketing em instituições financeiras”, revela Carlos Campos. O especialista em recursos humanos acredita que esta tendência está em franca expansão: “Um novo perfil profissional está sendo desenhado para este mercado. A exigência hoje é muito maior; procura-se mais qualificação e experiência. Pessoas com mais de 50 anos têm agregado novo valor ao produto que representam, pois a maioria já foi consumidor e acaba colocando mais conhecimento e emoção na abordagem ao cliente”, revela o representante da Casa do Profissional.
Emprego pós-50
Élcio Matos, 59 anos, e Estela Maris Rosemberg, 51 anos, são exemplos dessa nova tendência. Há um ano desempregado, Élcio, que sempre trabalhou com vendas, estava na informalidade para sustentar os dois filhos adolescentes. A mulher, que é técnica de enfermagem e também estava no mercado informal, ajudava Élcio a sustentar a família. “Já estava desiludido quando fui chamado pela TeleSoluções para participar do processo seletivo”, conta Élcio, que hoje atua como operador de telemarketing, seu primeiro emprego nessa área. Ele confessa que se sentiu inibido em muitas seleções, em que os jovens eram a maioria. “Cheguei a pensar em desistir no meio do processo, mas minha esposa sempre me deu força pra continuar. Afinal, a idade está na cabeça das pessoas e não é empecilho para o desempenho profissional”, enfatiza Élcio.
Com quase 25 anos de experiência em contact center, Estela trabalha no setor para poder realizar um outro sonho: a magistratura. Terminando a graduação em Letras e Literatura, a operadora já planeja um curso de pós-graduação em literatura. “Hoje trabalho para pagar a faculdade, mas, mesmo depois, dando aulas, pretendo conjugar o telemarketing com as aulas”, revela seus planos.